sexta-feira, 7 de novembro de 2008

COMO ARMAZENAR CERVEJA










Introdução

Muita gente associa cerveja a consumo imediato, gelada e sem muita preocupação com armazenamento. Mas, na prática, algumas cervejas podem evoluir bastante com o tempo — e saber como guardá-las faz toda a diferença no resultado final. Na minha percepção, esse é um dos temas mais negligenciados por quem começa a explorar cervejas especiais.

Quais cervejas podem ser armazenadas por mais tempo

Nem toda cerveja foi feita para envelhecer. A grande maioria das opções disponíveis no mercado deve ser consumida fresca, especialmente estilos leves e lupulados.

Por outro lado, existem estilos que se beneficiam do tempo, desenvolvendo maior complexidade. Entre eles estão:

  • Barley Wines
  • Imperial Stouts
  • Belgian Strong Ales
  • Lambics
  • Old Ales
  • Vintage Beers (cervejas de safra)

Essas cervejas costumam ter maior teor alcoólico e estrutura suficiente para evoluir positivamente ao longo dos meses — ou até anos.

Como começar a guardar cervejas

Se a ideia é montar um pequeno “estoque” em casa, o primeiro desafio não é técnico, mas comportamental: resistir à vontade de beber antes da hora.

Uma prática simples e eficiente é comprar duas unidades da mesma cerveja. Uma você abre logo, para entender o perfil inicial. A outra fica guardada por um período maior, permitindo comparar como ela evolui com o tempo.

Esse tipo de experiência ajuda muito a entender como o envelhecimento impacta aroma, sabor e corpo.

Armazenar em pé ou deitado?

Essa é uma dúvida comum, principalmente por influência do mundo dos vinhos. No caso da cerveja, a melhor prática é armazenar sempre em pé.

Existem alguns motivos para isso:

  • A rolha (quando existe) já possui propriedades que evitam ressecamento, mesmo sem contato com o líquido
  • O interior da garrafa mantém um nível de umidade suficiente
  • Deitar a garrafa pode fazer com que resíduos de levedura se acumulem nas laterais
  • A exposição maior do líquido ao oxigênio pode acelerar a oxidação

Além disso, manter a garrafa em pé ajuda a concentrar sedimentos no fundo, o que melhora a experiência ao servir.

Temperatura ideal de armazenamento

A temperatura é um dos fatores mais importantes no armazenamento de cerveja.

O ideal é manter as garrafas em um ambiente:

  • fresco
  • sem variações bruscas de temperatura
  • longe da luz
  • longe de fontes de calor

De forma geral, temperaturas na faixa de 10°C a 13°C costumam funcionar bem para a maioria das cervejas destinadas ao envelhecimento.

Temperaturas mais altas podem acelerar a degradação da bebida, enquanto temperaturas muito baixas podem prejudicar aspectos sensoriais.

Cuidados importantes

Alguns detalhes fazem diferença no resultado final:

  • Evite exposição à luz direta, especialmente luz solar
  • Não armazene próximo a eletrodomésticos que geram calor
  • Evite mudanças constantes de temperatura
  • Fique atento à vedação da garrafa (principalmente em rolhas mais antigas)

Outro ponto importante: armazenar bem não significa servir gelado demais. Se a cerveja estiver muito fria, você pode perder aroma, sabor e carbonatação.

Conclusão

Armazenar cerveja corretamente não é complicado, mas exige atenção a alguns detalhes e, principalmente, paciência. Me parece que o maior erro das pessoas não está na técnica, mas na ansiedade de consumir antes da hora.

Quando feito da forma certa, o envelhecimento pode transformar completamente uma cerveja, trazendo camadas de sabor que simplesmente não existiam no início. Vale a pena experimentar — nem que seja com uma ou duas garrafas — para entender na prática como isso funciona.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

HEINEKEN 1L


Introdução

A Heineken 1L, popularmente chamada de “nhonho”, costuma gerar curiosidade justamente por ser envasada na Argentina e apresentar diferenças em relação às versões mais comuns encontradas no Brasil. Na minha percepção, ela realmente entrega uma experiência um pouco superior às long necks tradicionais, mas ainda dentro das limitações típicas de uma lager comercial.

Diagnóstico

Esta Pale Lager apresenta espuma média, branca, rochosa e persistente, com boa formação de colarinho. O corpo é transparente, com coloração amarelo médio, dentro do padrão esperado.

Aroma:
Notas de pão escuro, lúpulo moderado e leve presença de grama. Não impressiona, mas está acima da média de muitas pilsens comerciais.

Sabor inicial:
Leves dulçor e amargor.

Sabor final:
Leve amargor com curta persistência, acompanhado de um toque metálico.

Paladar:
Corpo leve, textura seca, forte carbonatação e final metálico. O amargor característico da Heineken se mantém ao longo do gole, sendo o principal elemento de identidade da cerveja.

No geral, é uma lager consistente, mas sem grande complexidade.

Nota: 12 skol ou 2.6/5.0

Ficha técnica

Origem: Argentina (versão importada)
Estilo: Pale Lager
Teor alcoólico: Não informado
Amargor: Baixo a moderado
Coloração: Amarelo médio e transparente
Copo ideal: Lager Glass ou Pilsner
Disponibilidade: Ampla

Sobre o estilo: Pale Lager

Cervejas leves, claras e refrescantes
Baixo a moderado amargor
Alta carbonatação e perfil limpo
Foco em drinkability, não em complexidade

Experiência de consumo

A versão de 1L da Heineken se mostra um pouco mais interessante que as versões nacionais, mas ainda assim dentro de um perfil simples. Considero uma opção válida para consumo casual, especialmente quando encontrada por um bom preço.

Harmonização e ocasião

Churrasco
Petiscos
Comida de boteco
Dias quentes
Encontros informais

Conclusão

A Heineken 1L entrega uma experiência ligeiramente superior às versões mais comuns, mas sem sair muito da zona de conforto das lagers comerciais. Me parece uma escolha aceitável quando o custo-benefício compensa, mas há opções melhores na mesma faixa.

Resumo da avaliação

• Estilo: Pale Lager
• Teor alcoólico: Não informado
• Amargor: Baixo a moderado
• Aparência: Transparente, amarelo médio
• Espuma: Média, persistente
• Aroma: Pão, lúpulo e leve herbal
• Sabor: Leve, com amargor característico
• Corpo: Leve
• Carbonatação: Alta
• Final: Levemente metálico
• Drinkability: Boa
• Fidelidade ao estilo: Alta
• Complexidade: Baixa
• Custo-benefício: Depende do preço
• Recomenda?: Depende


Leia mais em

domingo, 11 de maio de 2008

5c) DOPPELBOCK


Aroma: maltagem bem forte. Versões mais escuras terão quantidade significativa de melanoidinas e geralmente alguns aromas tostados. Um leve sabor de caramelo proveniente de uma longa fervura é aceitável. Versões mais leves terão uma forte presença de malte com algo de melanoidina e notas tostadas. Virtualmente sem aroma de lúpulo, embora um leve aroma de lúpulo nobre seja aceitável em versões claras. Sem diacetil. Aspecto frutado moderadamente baixo para um aroma freqüentemente descrito como de ameixa seca, ameixa ou uva que pode estar presente (mas é opcional) em versões mais escuras devido às reações entre malte, fervura e envelhecimento. Um aroma bem leve lembrando chocolate pode estar presentes também nas versões mais escuras, contudo aromas tostados e queimados não deverão nunca estar presentes. Aroma moderado de álcool pode estar presente.

Aparência: coloração dourado-escuro a marrom-escuro. Versões mais escuras geralmente apresentam luzes rubis. A lagerização deve prover boa claridade. Espuma grande, cremosa e persistente (a coloração varia com o estilo base: branca para versões claras e esbranquiçada para variedades escuras). Versões mais fortes podem ter retenção de espuma enfraquecida e podem apresentar lágrimas (como as que aparecem ao efetuar os movimentos circulares com taças de vinho para desprender aromas).

Sabor: muito rica e maltada. Versões mais escuras podem ter teor significativo de melanoidina e freqüentemente alguns sabores tostados. Versões mais leves terão forte sabor de malte com melanoidina e notas tostadas. Um sabor bem leve de chocolate é opcional nas versões mais escuras, mas não deve nunca ser percebido como tostado ou queimado. Sabor limpo de Lager sem diacetil. As versões escuras também tem a opção de serem frutadas (ameixa seca, ameixa ou uva). Invariavelmente haverá uma impressão de força alcoólica, mas esta deve ser suave e aquecida em vez de amarga ou produzindo queimação. Presença de álcools mais altos (fusels) deve ser muito baixa ou nenhuma. Sabor de lúpulo baixo ou nenhum (um pouco mais é aceitável nas versões claras). O amargor do lúpulo varia de moderado a moderadamente baixo mas sempre permite o malte dominar o sabor. A maioria das versões é doce, mas deve ter uma impressão de atenuação. A doçura vem de baixa lupulagem e não de fermentação incompleta. Versões mais pálidas geralmente tem um final mais seco.

Paladar: corpo médio-cheio a cheio. Carbonatação moderada a moderadamente-baixa. Bem suave sem amargor ou adstringência.

Impressão geral: uma Lager bem forte e rica. Uma versão maior que uma Bock Tradicional e uma Helles Bock.

História: especialidade da Bavária envasada pela primeira vez em Munique, na Alemanha, pelos monges de São Francis de Paula. Versões históricas eram menos atenuadas que as interpretações modernas, conseqüentemente com maior doçura e menores níveis alcoólicos (o que a faz ser chamada de 'pão líquido' pelos monges). O termo 'doppel (dupla) bock' foi cunhado pelos consumidores de Munique. Muitas DoppelBock são batizadas com nomes que terminam em '-ator', ou um tributo para o protótipo Salvator ou para tirar vantagem da popularidade dessa cerveja.

Comentários: a maioria das versões tem coloração escura e podem apresentar o efeito caramelizante da malha de decocção, mas versões claras excelentes também existem. As variedades pálidas não terão a mesma riqueza e os sabores de maltes escuros das versões escuras, e pode ser um pouco mais secas, lupuladas e amargas. Enquanto os exemplos mais tradicionais se enquadram nos escopos citados, o estilo pode ser considerado como não tendo limite máximo de gravidade, álcool e amargor (fornecendo então um norte para Lagers muito fortes). Qualquer frutagem se deve ao malte Munich e outras variedades especiais de malte, além de ésteres não derivados de levedo desenvolvidos durante a fermentação.

Ingredientes: malte Pils e/ou Vienna para versões pálidas (com um pouco de Munich), maltes Munich e Vienna para as mais escuras e ocasionalmente uma pitadas de maltes de cor mais escura (como o Carafa). Lúpulos nobres. A mineralização da água varia de suave a moderadamente carbonatada. Levedo limpo de lager. A malha de decocção é tradicional.

Estatísticas vitais:

IBUs: 16-26 SRM: 6-25 OG: 1.072-1.111 FG: 1.016-1.024 ABV: 7-10%

Exemplos comerciais: Paulaner Salvator, Ayinger Celebrator, Weihenstephaner Korbinian, Andechser Doppelbock Dunkel, Spaten Optimator, Tucher Bajuvator, Weltenburger Kloster Asam-Bock, Capital Autumnal Fire, EKU 28, Eggenberg Urbock 23º, Bell's Consecrator, Moretti La Rossa, Samuel Adams Double Bock


Ilustra a foto de hoje a Paulaner Salvator, encontrada em muitos supermercados brasileiros e também em http://www.ratebeer.com/beer/paulaner-salvator/649/


Termina amanhã a família Bock com o subestilo Eisbock. Até lá!


Cheers!