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quinta-feira, 18 de junho de 2026

2f) BIÉRE DE CHAMPAGNE/BIÈRE BRUT


Um dos mais novos e mais interessantes estilos de cerveja, a Bière de Champagne tem muito potencial dentro da indústria de cerveja como um produto de destaque nas prateleiras. Inicialmente envasada na Bélgica, ela é tipicamente submetida a uma longa maturação. Algumas são até mesmo envelhecidas em caves na região de Champagne, na França, e então submetidas aos processos de "remuage" e "dégorgement", conhecidos como o "método champenoise" - o processo de remover o levedo da garrafa. A maioria delas é delicada, com alto teor alcoólico, muita carbonatação e por vezes condimentada. Sua coloração varia de bem pálida a tons escuros. Envasada em garrafas de champagne de 750ml, com rolha. Seu teor alcoólico oscila entre 10 e 14%.

Ilustra o espaço de hoje a DeuS (Brut des Flandres), um dos maiores ícones do estilo e a melhor cotada na fonte de consulta. Ela pode ser encontrada em

Continua amanhã a série sobre Belgian/French Ales com o subestilo Bière de Garde. Até lá!

Cheers!

LUST PRESTIGE


Diagnóstico

Essa Belgian Strong Ale da cervejaria brasileira Eisenbahn sempre me trouxe muita expectativa. Afinal, sua garrafa à la champagne, a produção através do método champenoise, o alto preço, todas eram características que sempre me diziam que essa seria uma espetacular cerveja, com certas semelhanças com a bebida francesa acima citada. Em termos de aparência, seu principal trunfo é a garrafa. Despejada na minha taça trapista, apresentou espuma média, aerada e branca. Moderda formação de colarinho. Espuma de longevidade reduzida. Corpo translúcido, borbulhante, denso e âmbar. Aroma: pêssego, maçã, abacaxi, goma de mascar, vinho branco e lufadas de álcool (a mesma tem teor alcoólico de 11,5%). Sabor inicial: moderados dulçor e amargor. Sabor final: pesado amargor e moderado dulçor; longa duração. Paladar: corpo médio-cheio, forte carbonatação, textura seca e final levemente alcoólico. Forte álcool, aquecimento alcoolico, dulçor inicial frutado, muito forte, nao combina com o estilo (puxando mais pra uma tripel). Confesso que esperava MUITO mais dessa cerveja (que, segundo ouvi falar, teria um paladar seco, muito longe do extremo dulçor que experimentei).

Custo-benefício: garrafa de 750ml adquirida por R$ 80 no Armazém da Serra, no Mercado Municipal de Curitiba-PR. Mal negócio, julgo que valha a metade desse valor, equiparando-se à outras belgas do estilo, que a superam em qualidade.

Nota: 125 Skol ou 3.6/5.0

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CAMPEÃ GELADA

Uma cerveja feita com o mesmo método do champanhe entra na lista das brasileiras mais cultuadas entre os apreciadores
A Lust, cerveja produzida pela Eisenbahn, de Santa Catarina se parece com tudo - menos com cerveja. Sua embalagem, com rolha, é de espumante. Seu preço - 80 reais - é de um bom vinho. E o teor alcoólico, de 11,5%, está bem acima do teor da maioria das cervejas. Com um sabor igualmente incomum, misturando tons frutados e levemente adocicados, a Lust conquistou o respeito dos experts na bebida, a ponto de entrar recentemente para a lista das 100 melhores cervejas do mundo elaborada pela revista americana Imbibe-liquid Culture, publicação de referência no setor. "Queríamos fazer algo diferente para despertar o desejo do consumidor", afirma Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn e atualmente consultor para cervejas da Schin, que comprou a marca no ano passado. "A Lust é uma bebida para ser apreciada como um uísque raro, algo que vai além de simplesmente tomar uma 'estupidamente gelada' no boteco ou na praia."
A inspiração para a criação da cerveja ocorreu quando os proprietários da Eisenbahn estiveram na Bélgica e provaram as cervejas feitas pelo método champenoise. De acordo com essa fórmula, depois da fermentação natural, a cerveja segue para uma vinícola, onde é engarrafada e sofre a adição de açúcar e de leveduras de vinho, o que provoca uma segunda fermentação. Ao voltar para Santa Catarina, além de leveduras belgas, os donos da Eisenbahn trouxeram na bagagem o mestre cervejeiro Gerhardt Beutling, um bávaro com 30 anos de experiência na técnica que ficou encarregado de tentar repetir no Brasil a experiência belga. "Acompanhei todas as etapas, desde a compra de tanques até as primeiras degustações", diz Beutling. A Lust chegou ao mercado há três anos, tornando-se a terceira cerveja do mundo produzida por champenoise (as duas outras são as belgas Deus e Malheur). Em sua versão mais "popular", cotada a 80 reais, a Lust matura durante três meses até desenvolver seus aromas e sabores. Sua linha mais sofisticada, a Prestige, que custa 100 reais, leva um ano para ficar pronta.
Assim como a Lust, existem outras boas cervejas artesanais brasileiras que conquistaram prestígio internacional. A Colorado Indica, produzida no interior de São Paulo, por exemplo, recebeu em 2008 a medalha de ouro em sua categoria no European Beer Star, um dos mais famosos concursos da bebida no Velho Continente.
Em comum, as geladas campeãs do Brasil têm o fato de ser produzidas por microcervejarias, um negócio em expansão no país. No início da década de 90, existiam apenas seis empresas desse tipo. Hoje, há quase 2.000 microcervejarias. A exemplo do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos, a fatia ocupada pelos rótulos especiais no mercado brasileiro ainda é pequena - 4%. No exterior, porém, o segmento cresce num ritmo maior que o das cervejas comuns. "O Brasil tem tudo para repetir o fenômeno", afirma Ênio Rodrigues, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja.
FONTE: Revista Exame, 30 de dezembro de 2009

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DEUS BRUT DES FLANDRES

Antes de começar mais esse post, gostaria de informar a todos os leitores que estamos muito próximos da marca de 70 mil visitas, o que, para um blog independente de cervejas, é muito significativo, em minha opinião.
Fora isso, não gostaria de deixar passar em branco sem uma introdução essa maravilhosa cerveja que, desde que eu morava em Curitiba, até meados de 2008, sempre esteve presente no meu imaginário. Dentre as muitas lendas que a rondavam, é a de que não compensaria pagar o alto valor cobrado por ela no Brasil (até R$ 200). Prestes a fazer minha viagem para a Europa, no início de abril, meu caro amigo Luiz Fernando Cavalheiro me recordou em relação ao preço relativamente baixo cobrado pela Deus na Europa, o que, como relatarei abaixo, realmente o foi.
Posso dizer que esta é uma cerveja única, repleta de nuances, especial. E exatamente por isso, a coloco entre as 5 melhores cervejas que já tomei, e recomendo a qualquer fã de cervejas que queira uma ótima experiência cervejeira.
Enfim, vamos à descrição comercial e à análise. Aguardo comentários de quem a tenha degustado, a fim de ver se compartilhamos algumas impressões.


Descrição comercial

Envasada pela primeira vez em Bosteels, transferida para a região de Champagne na França, onde é tratamente praticamente como um champagne, com as garrafas sendo mudadas de lado para a movimentação da levedura e também recebendo troca de rolhas.


Diagnóstico

Essa Belgian Strong Ale belga tem espuma volumosa, branca e aerada, de reduzida longevidade. Excelente formação de colarinho. Corpo borbulhante, ralo e amarelo-escuro. Sabor inicial: leve dulçor. Sabor final: moderado dulçor e leve amargor; a duração, felizmente, é longa. Paladar: textura aguada, forte carbonatação, final metálico e corpo médio. O teor alcoólico de 11,5% aparece de forma moderada no paladar, acompanhado de toques amadeirados e condimentados, com a presença de coentro. Excelente cerveja, complexa. Traz ainda o sabor de ervas, hortelã e manjericão. A garrafa de 750ml foi adquirida pela bagatela de 27euros em uma unidade do El Corte Inglés localizada em Coimbra, Portugal, e degustada no apartamento do amigo Fernando Perazzoli, localizado naquela mesma cidade.Copos recomendados: Trappist Glass, Tulip e Tumbler.

Nota: 320 skol ou 4.1/5.0

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