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quinta-feira, 18 de junho de 2026

HARMONIZAÇÃO ENTRE CERVEJAS E QUEIJOS

Vou dar um tempo essa semana nos reviews sobre cerveja. Para não ficar sem publicar nada, pensei em abordar um tema interessante: a harmonização de nossa bebida preferida (a minha, pelo menos) com o queijo, que, de acordo com muitos, é uma combinação melhor que o próprio vinho.
As cervejas especiais estão entre as melhores combinações possíveis com queijos, Assim como vem acontecendo uma revolução no mundo das cervejas, com o renascimento de cervejas artesanais, o mesmo vem ocorrendo com os queijos. Começam a aparecer os pequenos produtores que fabricam queijos com personalidade. Estes são os que combinam com as cervejas especiais.
Vejamos por que cervejas e queijos combinam tão bem:

SABORES SEMELHANTES
Nas cervejas encontramos diversos aromas e sabores semelhantes aos dos queijos, como os aromas de nozes, castanhas, amêndoas e caramelo, geralmente presentes nos queijos mais curados.

CARBONATAÇÃO
A carbonatação desperta e estimula as papilas gustativas, acentuando os complexos sabores presentes nos queijos. Além disso, os queijos são gordurosos e cremosos, geralmente cobrindo nossa boca como se fossem uma espécie de cera. A carbonatação tem o poder de "lavar" esta gordura da boca, abrindo caminho para que nossas papilas gustativas estejam descobertas e percebam exatamente o sabor da cerveja e do queijo. Ela deixa sua boca pronta para um novo sabor, como se cada mordida ou cada gole fossem sempre os primeiros.

AMARGOR
Junto com a doçura, é responsável pelo equilíbrio da cerveja. Também torna a cerveja refrescante e estimula o apetite. Na combinação com comida, confere certa refrescância e, assim como a carbonatação, corta a gordura que cobre nossas papilas gustativas.

DOÇURA E SABOR DE PÃO
Os pães, assim como as cervejas, são feitos a partir de cereais. Daí tamanha semelhança de sabores, a ponto de chamarmos a cerveja de "pão líquido". Assim como os queijos combinam bem com pães, facilmente harmonizam com os sabores de malte de cevada e trigo utilizados nas cervejas. A doçura presente nas cervejas também tem origem no malte de cevada. O açúcar residual, não fermentado, acaba contribuindo para um equilíbrio entre o doce e o amargo. Essa doçura permite uma harmonização com queijos mais adocicados ou com queijos salgados, em uma harmonização por contraste.

COMO PROVAR CERVEJA


Ao analisar uma cerveja, você não pode apenas engoli-la vorazmente, arrotar e dizer “que delícia” ou então “que porcaria”. E, embora degustar seja uma arte individual, existem alguns passos, que, se seguidos, irão levar sua degustação de cerveja a um nível mais proveitoso.

1)Observe
Pare e contemple sua grande antes de ingeri-la. Levante a cerveja à sua frente, mas não a segure em frente a uma fonte direta de luz, pois isso irá diluir sua cor verdadeira. Descreva sua cor, sua espuma e sua consistência.
2)Agite
Rodopie a cerveja gentilmente no copo. Isso irá desprender aromas e ligeiras nuances, bem como soltar a estimular carbonatação e testar a retenção de espuma.
3)Cheire
90% a 95% do que você experiência é sentido através do olfato. Respire através do nariz com duas rápidas inspiradas e depois com sua boca aberta, depois apenas através da boca (nariz e boca estão conectados na experiência). Deixe seu olfato guiá-lo. Agite a cerveja novamente caso necessário, e certifique-se que você está em um lugar onde não hajam aromas mais fortes que possam atrapalhar o processo de farejar.
4)Saboreie
Agora tome um gole da cerveja. Controle-se para não engoli-la imediatamente. Deixe-a circular e explore seu paladar por completo. Deixe suas papilas gustativas falarem. Perceba o paladar, a consistência do corpo do líquido, e respire fora do copo durante o processo de saborear. O processo de exalar é chamado de ‘retro-olfação’ e irá liberam estímulos retidos na mucosa e no nível do paladar, mas em temperaturas mais altas. Às vezes isso será o mesmo que o processo olfatório, se não for diferente e complementar. Tente detectar qualquer dulçor, sabores salgados, ácidos e amargor geral. Explique o que eles são ou similares a que eles são.

Ainda, tente saborear a cerveja depois que ela tenha esquentado um pouco (não muito, no entanto). Cerveja gelada demais tende a mascarar alguns dos sabores. A medida que uma cerveja esquenta, seus reais sabores irão emergir e tornar-se mais pronunciados.

TRIPEL KARMELIET


Hoje, dia em que esse beerlog completa 23 meses (ou seja, falta um mês para o aniversário de 2 anos) resolvi brindar os leitores com uma análise sobre a saborosíssima Tripel belga Karmeliet. Essa é, de acordo com uma newsletter que recebi, uma das cervejas preferidas do talentoso cantor e também zitófilo Ed Motta. Provei com minhas próprias papilas gustativas que ele está coberto de razão.


Antes das minhas impressões pessoais, gostaria de compartilhas algumas informações sobre a Karmeliet, que vieram juntamente com o exemplar que adquiri no site Nonobier. De acordo com o material, sua coloração bronze-dourada com colarinho cremoso são características obtidas não somente dos grãos utilizados, mas também da adição de lúpulo da Estíria e da natureza frutada (banana e baunilha) da fermentação. No aroma percebe-se toques de baunilha misturados a fragrâncias cítricas. Seu sabor não possui apenas a leveza e frescor do trigo, mas também a cremosidade da aveia. Três grãos são utilizados na sua fabricação: trigo, cevada e aveia. Todos estes grãos são usados maltados e não maltados, o que faz com que a cerveja seja, na realidade, fabricada com o uso de seis tipos de grãos. A receita original de 1679 é das freiras Karmelitas de Dendermonde. Hoje, é produzida pela cervejaria Bosteels.


Dito isso, listo agora as minhas impressões pessoais sobre essa deliciosa cerveja.

Sua aparência é composta de um creme denso, aerado e branco. Boa formação de colarinho. Reduzida longevidade. Corpo translúcido, borbulhante, espesso e amarelo-escuro. O aroma traz leve presença de levedura, banana, maçã, mel e figo. O sabor inicial é moderadamente doce (dulçor frutado, agradável, bem menos enjoativo que de outras do estilo) e levemente amargo, sensações estas que se invertem no final do gole, com leve dulçor e moderado amargor. A duração do sabor é média. O paladar é composto de um corpo médio, textura cremosa, suave carbonatação e final metálico. Esconde bem o álcool(que aparece no final do gole, harmonizado, como em um vinho branco, onde se sente o álcool de uma forma agradável e refrescante). Quase tão encorpada quanto uma Hefeweizen; toques de banana e figo no paladar.


Custo-benefício: garrafa de 350ml adquirida através do site nonobier.com.br por R$ 17,80. Muito bom negócio, tratando-se de um produto tão bem trabalhado.


Nota: 130 Skol ou 3.4/5.0


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