quinta-feira, 8 de março de 2012

HOBBY, ARTE, PAIXÃO E CERVEJA ptIV

Cavalcanti reclama de ter demorado um ano para conseguir sua licença para atua. Atualmente ele está criando o primeiro laboratório de leveduras líquidas do Brasil. "É uma criação de levedura, para propagação da técnica e comercialização", explica, pois a maioria das microcervejarias utiliza levedura em pó, o que segundo ele limita o sabor que se almeja.
Alenda, por sua vez, vê o crescimento do setor sendo ampliado por dois fatores: a maior facilidade na aquisição das matérias-primas, quasse toda importada, com o dólar desvalorizado, e a criação das associações de cervejeiros artesanais (ACERVAS). "Elas têm um papel fundamental na consolidação deste movimento, pois a partir destas associações são realizados cursos de aperfeiçoamento, eventos promocionais, compras conjuntas de matérias-primeas, entre outras ações positivas".
A chegada das cervejas artesanais ao varejo ainda é para poucos. além da produção limitada e dificuldades de distsribuição, Cavalcanti acha que os preços praticados ainda impedem a popularização das marcas regijonais. "Minha luta é trazer prestígio ao que é feito aqui: uma cerveja importada fica de 7 a 8 meses na alfândega, com a burocracia. O público valoriza mais o que vem de fora, é uma questão de mercado", lamenta.
"Acredito que o principal ganho para a sociedade seja o incremento das opções diferenciadas, além do incentivo ao movimento "beba menos, beba melhor", conclui Alenda.

quarta-feira, 7 de março de 2012

HOBBY, ARTE, PAIXÃO E CERVEJA ptIII

RESGATE CULTURAL

"Cerveja é uma das bebidas mais apreciadas no mundo, presente em quase todas as civilizações, que reúne arte e ciência no seu preparo, mas que nos últimos 200 anos foi perdendo pessoalidade e ganhando ar de uma bebida industrial", discorre Botto. Para ele, fazer cerveja em casa possibilita descobrir o que é cerveja, seus ingredientes e métodos de preparo, "permitindo o resgate de tradições, história e que façamos a nossa cerveja, com a nossa cara."
Esse movimento começou nos Estados Unidos, no começo dos anos 70. A fabricação caseira de bebida, uma característica sufocada pela Lei Seca dos anos 20, estava adormecida mas em pouco tempo se tornou uma gigantesca indústria, formada por microcervejarias que não sucumbiram aos grandes do setor. Já no Brasil, cervejarias de porte pequeno e médio foram compradas pelas multinacionais.
A vida de colos alemães para o trabalho das lavouras, no século XIX, trouxe a tradição da cerveja caseira. Logo surgiram pequenas fábricas, mas a maioria sumiu, adquiridas por grandes companhias - o "mainstream", conforme classifica Cavalcanti.
"É um resgate sociocultural imenso", acredita o mestre-cervejeiro da Bodebrown. Ele abriu a primeira turma de cervejeiros estimando conseguir 20 alunos - e foram 45. "A cerveja mainstream leva pro bar, afasta. A cerveja caseira aproxima."
Os obstáculos da arte de homebrewing são a burocracia brasileira e a falta de insumos. "Os estados da região sul e sudeste são os mais avançados. Aqui no Rio Grande do Sul temos a enorme vantagem de contar com o maior fornecedor de matérias-primas para homebrewers do Brasil", conta Alenda.

Termina amanhã a série sobre Hobby, arte, paixão e cerveja. Confira!

terça-feira, 6 de março de 2012

HOBBY, ARTE, PAIXÃO E CERVEJA ptII

A história de Cavalcanti é emblemática: químico, seu interesse pela cerveja vem da faculdade - foi o tema de sua monografia de conclusão de curso. Cervejeiro que sempre buscava apreciar as novidades em suas viagens ao exterior, fez cursos de homebrew em Berlim e Chicago e logo fundou a Bodebrown, premiada recentemente pela fabricação da Wee Heavy, uma cerveja bem maltada no estilo Scotch, muito diferente da tradição brasileira.
Outro cervejeiro de destaque no mercado nacional, Leonardo Botto (RJ), define a fabricação caseira como "um artesanato com a alma que reflete a personalidade de quem fabrica a cervejinha". Ele conta que uma pergunta recorrente é o porquê de se fazer cerveja em casa, se não é mais simples e prático comprar, ou se o trabalho compensa. "Mesmo que inicialmente possa ser um caminho para fugir da limitação do mercado, que oferece poucos estilos de cervejas e a um preço caro, fazer sua cerveja é mais que uma simples economia ou resgate de estilos. É um hobby que com o tempo fica mais gostoso que a própria bebida", explica.
Esse encantamento com a ténica cervejeira caracteriza o perfil do homebrewer. Cavalcanti, que em suas instalações criou espaço para a primeira escola de cervejeiros do Brasil: "é um mundo que se abre quando você começa a entender de estilos, copos, sabores."
Eduardo Alenda, da Alenda Beer (RS), compara a arte da cerveja ao cultivo de uma horta no quintal: "em abos os casos você está cultivando organismos vivos, que só vão crescer de maneira adequada se tiver paciência, dedicação e persistência, pois precisam de cuidados diários". Ele é outro apaixonado pelo hobby que se transformou em negócio. "Pra fazer cerveja não basta gostar de degustar o produto final, é preciso ter amor ao processo de fabricação, processo extremamente delicado e complexo; se manter sempre atualizado, estudar muito, participar de eventos sobre o assunto, pesquisar", enumera.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PRESIDENTE LIGHT

















Descrição comercial

A Presidente Light é uma nova proposta, com menor teor alcoólico e sabor mais suave que preserva a herança de sabor e qualidade da marca Presidente, em uma proposta "Light".

Diagnóstico

Essa Pale Lager dominicana tem espuma média, aerada e branca, de reduzida longevidade. Moderada formação de colarinho. Corpo claro, ralo e amarelo. Aroma: mel e lúpulo moderado. Sabor inicial e final: leves dulçor e amargor; média duração. Paladar: corpo médio-leve, textura aguada, forte carbonatação e final metálico. Amargor de refrigerante diet, refrescante bem gelada. Garrafa de 500ml adquirida por cerca de R$ 6 (60 pesos uruguaios) no Hotel Montevideo, na cidade de mesmo nome, no Uruguai. Copos recomendados: Dimpled Mug, English Pint, Lager Glass e Shaker.

Nota: 3skol ou 2.3/5.0

Leia mais em
http://www.ratebeer.com/beer/presidente-light/45135/65483/

sexta-feira, 10 de junho de 2011

PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA - FERMENTAÇÃO



Introdução

A fermentação é, sem exagero, a etapa mais importante na produção de cerveja. É nesse momento que a bebida realmente “nasce”, ganhando álcool, aromas e boa parte do seu caráter final. Na minha percepção, entender essa fase ajuda muito a valorizar o que está dentro do copo — porque é aqui que a mágica acontece de verdade.

O que é a fermentação

Depois que o mosto (a infusão de malte) passa pelo resfriamento, ele é transferido para o tanque de fermentação. A partir daí, entra em cena um dos ingredientes mais importantes da cerveja: a levedura.

O mestre-cervejeiro escolhe cuidadosamente o tipo de levedura que será utilizado, já que ela influencia diretamente no perfil da cerveja. Cada cepa pode gerar aromas e sabores diferentes, mesmo usando os mesmos ingredientes base.

Como funciona o processo

Ao ser adicionada ao mosto, a levedura começa a consumir os açúcares presentes no líquido. Esse processo gera dois subprodutos principais:

  • álcool
  • gás carbônico

Além disso, a fermentação também produz compostos secundários que contribuem para o aroma e o sabor da cerveja, como notas frutadas, condimentadas ou mais neutras, dependendo do tipo de fermentação.

É por isso que duas cervejas com receitas parecidas podem ser completamente diferentes — a levedura e a forma como ela atua fazem toda a diferença.

Tipos de fermentação

De forma geral, existem dois grandes grupos de fermentação:

  • Fermentação Ale (alta fermentação)
Ocorre em temperaturas mais altas e tende a produzir cervejas com mais aromas frutados e complexos.

  • Fermentação Lager (baixa fermentação)
Acontece em temperaturas mais baixas e resulta em cervejas mais limpas, leves e com perfil mais suave.

Cada método traz características distintas e define boa parte do estilo da cerveja.

Por que essa etapa é tão importante

A fermentação não apenas gera álcool — ela define o perfil sensorial da cerveja. Temperatura, tempo e tipo de levedura impactam diretamente no resultado final.

Na prática, pequenos ajustes nessa etapa podem transformar completamente uma receita. Me parece que é justamente por isso que cervejeiros dão tanta atenção a esse processo, tratando a fermentação quase como uma etapa “viva” da produção.

Conclusão

A fermentação é o coração do processo cervejeiro. Sem ela, não existiria cerveja como conhecemos. Mais do que uma etapa técnica, é um momento decisivo que molda aroma, sabor e identidade da bebida. Entender esse processo torna a experiência de degustação muito mais interessante — e até mais consciente.

Fonte: Merchant du Vin (adaptado)