quinta-feira, 18 de junho de 2026

COLORADO APPIA CERVEJA CLARA WEISS


Descrição: semelhante à Baden Golden, com exceção de aftertaste de mel em vez de canela. Apesar de ser feita de trigo, não possui esse sabor nem o corpo característico dessa classe de cervejas, nem tampouco é turva como suas congêneres. Em contrapartida, compensa as características anteriores com um alto grau de refrescância, ideal para dias quentes de verão.



Custo-benefício: adquirida no Armazém Flor da Serra, no Mercado Municipal de Curitiba, por R$ 10,50. É um valor justo para a qualidade da cerveja, que, no entanto, não vale muito mais que isso. Teor alcóolico 5,5% 600ml.



Nota: 100 Skol


FULLER'S LONDON PORTER







Descrição: essa magnífica Porter inglesa leva a sério o lema de que a primeira impressão é a que fica, com uma belíssima garrafa e rótulo e um surpreendente primeiro gole.Como toda dark beer que se preze, possui, segundo Luiz Fernando Cavalheiro, grão-mestre da Confraria do Status de Curitiba, "um corpo longo, forte amargor, café onipresente e aroma de trufas amargas".Assino embaixo e acrescento que, associado ao destacado e inebriante aroma de café, também se percebe fortemente a presença de maltes de chocolate e caramelo. Para os que conhecem a linha Eisenbahn, eu diria que essa é uma Dunkel anabolizada, apesar do estilo ser diferente.

Custo-benefício: adquirida no Armazém Flor da Serra do Mercado Municipal de Curitiba, por R$ 22,50. Um valor justo, que poderia ser esticado 10% a mais que ainda estaria sendo feito um bom negócio. Teor alcóolico 5,4% 500ml.

Nota: 900 Skol

FULLER'S GOLDEN PRIDE


Descrição: apesar de muito premiada, essa strong ale da cervejaria inglesa Fuller's deixa a desejar, exatamente pelas altas expectativas que criava. Produzida com maltes de cervejas pale ale e cristal, possui aroma extremamente frutado, uma de suas mais marcantes características, talvez o melhor que ela ofereça. Apresenta textura adocicada com notas de frutas vermelhas e corpo lodoso, adequado para uma ale. Seu grande problema é tornar-se enjoativa após alguns goles, pela doçura caramelizada após um pequeno amargor- uma falsa acidez, eu diria. Recomendável para dias mais frios e para tomar em pequenas doses em degustações ou então como sobremesa. Para os que fumam, recomendo acompanhar com um bom charuto.

Custo-benefício: adquirida no Armazém Flor da Serra do Mercado Municipal de Curitiba a R$ 22,50, não compensa o investimento, justamente por tratar-se de um item altamente enjoativo. Uma garrafa menor ou até mesmo uma lata seria melhor negócio. Teor alcóolico 8,5% 500ml.

Nota: 200 Skol


AMSTERDAM MAXIMATOR


Descrição: segue à risca a tradição Amsterdam de produzir cervejas MUITO doces, porém a forte graduação alcoólica a torna mais convidativa que suas irmãs. Se fosse defini-la em poucas palavras, diria que é uma strong 'coconut' ale, com destacadas notas de álcool, junção essa de características.que a conferem certa semelhança com destilados como o Malibu, o que a impede de ser bebida em quantidade (leia-se enjoativa). Recomendável consumi-la em degustações e sobremesas, em pequenas doses e com a devida parcimônia.


Custo-benefício: Mercado Municipal de Curitiba, a R$ 6,90. A título de primeira experiência, vale a pena, no entanto, há outros lugarem, como o Sam's Club, onde ela é vendida por entre R$3 e R$4, valor muito mais adequado ao que ela oferece. Teor alcóolico 11,6% 500ml.


Nota: 85 Skol

SCHNEIDER WEISSE KRISTALL


Descrição: essa Kristallweizen alemã é uma feliz junção de maltes de cevada e trigo.
O resultado é refrescante, perfeito para um domingo de 37ºC de verão.
Com alta carbonatação, pode acompanhar pratos apimentados, como comida mexicana, sem ser afetada pelo sabor da comida e limpando o paladar automaticamente. Ideal para qualquer horário, desde que esteja bem gelada.

Custo-benefício: adquirida no Sam's Club de Curitiba, em um pacote
promocional de 6 garrafas + 1 copo 500ml por R$ 30,00. Considerando a média hipotética de R$5,00/garrafa, apresenta um CB altíssimo, até 50% do preço que poderia ser pago.

Nota: 850 Skol

Mais informações em http://www.ratebeer.com/Beer/schneider-weisse-kristall/8852/

GUINNESS draught


Descrição: poucas cervejas no mundo conseguiram acumular o prestígio que a irlandesa Guinness conseguiu. Criada pelo irlandês Arthur Guinness em 1759, a bebida preta, forte e encorpada ainda é produzida na fábrica original do grupo, na zona portuária de Dublin. Para servi-la nos publs, segue-se um ritual que dura exatos 119 segundos e garante o denso colarinho de espuma (precedido do inédito efeito 'areia movediça' - um movimento causado pela nitrogenação utilizada em seu feitio) no topo dos copos, sempre na dosagem-padrão de 568ml (em vez do tradicional pint, de 473ml), o chamado imperial stout. Tanta tradição foi determinante na globalização da Guinness, cujo segundo maior mercado é... alguém se habilita a responder, ou tentar adivinhar?
Quem disse Nigéria acertou. Apesar do baixo poder aquisitivo do país, a colonização anglo-saxã deixou suas raízes (algumas muito boas, como se pode ver). A velha e respeitável marca ganhou mercado na África porque tinha a capacidade de resistir ao implacável calor africano e também por passar uma imagem de sofisticação aos colonizados.
Como se não bastasse ser um panteão de status e elegância, o sabor de Guinness é um espetáculo, digno de sua reputação. Essa stout tem baixa carbonatação, diferente de todas suas 'familiares' que já tive acesso. Essa característica diz respeito a capacidade de uma cerveja 'limpar' o paladar de quem a está bebendo, mantendo limpas as papilas gustativas. Sendo assim, recomenda-se harmonizar a Guinness com petiscos leves, como uma boa cumbuca seca, composta por castanhas, amendoim, pistache e congêneres - para os marinheiros de primeira viagem, recomendo bebe-la solo. E mais, confesso que minha primeira impressão não foi das melhores, experiência que foi melhorando aos poucos. Após passar por essa 'prova de fogo', aguardo seus comentários - aos que já beberam e são fãs inveterados, como eu, também os aguardo por aqui! Saúde!

Custo-benefício: lata da pint Draught adquirida pela última vez no Mercadorama da rua 24 de maio, em Curitiba, por R$ 8,00. Pode também ser encontrada em vários estabelecimentos da capital paranaense, como o Sheridan's e o Slainte, entre outros (a preços mais altos, é verdade). Ambas as versões são recomendadas e valem seu preço em ouro.

Nota: 815 Skol

SCHNEIDER WEISSE ORIGINAL


Descrição: de coloração âmbar, essa weissbier tem aroma pronunciado de maçã, mas é bem menos complexa em termos de sabor em relação às weiss mais respeitadas, como a Paulaner, um ícone alemão. Apesar de ser turva, não chega a proporcionar uma experiência memorável ao degustador. Recomendável para dias quentes, beber bem gelada. Pode acompanhar petiscos mais picantes.

Custo-benefício: adquirida no Sam's Club, por R$ 30 o pacote de 6 Schneider Weisse + copo. Em se tratando de um preço médio/unidade de R$ 5, por si só, não vale a pena.

Nota: 200 skol

SCHNEIDER WEISSE WEIZEN HELL


Descrição: com o característico aroma de banana das weizenbiers, seu paladar ácido e textura rala lhe confere o título de pior cerveja da linha Schneider Weisse. Certamente Guilherme IV, monarca alemão do Estado da Baviera, quem promulgou em 1516 a primeira lei de proteção ao consumidor da história (a Lei Alemã de Pureza) não daria seu aval a essa Weisse. Raivoso com adições como fuligem, cal, ervilha ao precioso líquido, Guilherme decretou que só seria permitido produzir cerveja com malte de cevada, lúpulo e água. Infelizmente, obedecer à essa lei nem sempre é sinônimo de uma cerveja de boa qualidade.


Custo-benefício: adquirida no Sam's Club de Curitiba, em um pacote promocional de 6 garrafas + 1 copo 500ml por R$ 30,00. Considerando a média hipotética de R$5,00/garrafa, apresenta um CB baixo, o dobro do que poderia ser considerado justo pagar por ela.


Nota: 6 Skol









Google













BOHEMIA CONFRARIA

Descrição: produzida como alternativa ao amplo 'reinado Pilsen' vigente no Brasil e descrita pela Inbev como uma 'cerveja tipo Abadia', a Bohemia Confraria é uma Bitter Ale, cuja receita original foi criada pelos monges trapistas, artistas da boa cerveja. Seu segredo é a mistura entre um pronunciado amargor em harmonia com notas doces, frutadas, que lhe conferem um paladar nobre e sofisticado. Aos que conhecem a apreciam a Weihnachts Ale (a Amber Ale, edição natalina, da Eisenbahn), podem notar uma certa semelhança, exceto por uma maior dose de amargor por parte da Weihnachts. Ambas recomendadíssimas por Dr. Beer.
Custo-benefício: adquirida pela última vez no Mercadorama da 24 de Maio em Curitiba, por R$ 5,99. Um preço justo para a garrafa de 500 ml e teor alcóolico de 6,2%.
Nota: 212 Skol

COLORADO CAUIM


Descrição: ‘Esta Pilsen tradicional de Ribeirão Preto foi feita com água do aqüífero Guarany, maltes e lúpulos importados, mandioca e exclusiva levedura de baixa fermentação. Seu nome Cauim vem do Tupi e se refere a uma antiga bebida fermentada de cereais e mandioca, fabricada pelos índios brasileiros.’ A despeito das características apontadas no rótulo como sendo as mais marcantes, o maior trunfo dessa peculiar pilsen é seu aroma, muito mais complexo que a média de suas pares. Consegue-se captar maçã (o mais forte), laranja, pão branco e queijo (um forte, puxando para o gorgonzola). Lembrete: após sentir um aroma, desvie o olfato para outra direção, respire fundo o ‘ar puro’, depois volte a cheirar novamente sua cerveja. Caso seu copo tenha ‘boca larga’ e permita o desprendimento de aromas, alguns movimentos circulares (nada exagerado) podem facilitar o processo.
O sabor, apesar de não ser espetacular, também se destaca por ser diferente, Apresenta textura aguada, carbonatação suave e um trânsito metálico na boca, após um início moderadamente ácido. Vale a pena conferir. Ah! Resquícios de água do aqüífero Guarany e mandioca passaram despercebidos, se alguém conseguir farejar, compartilhe.
Como não poderia ser diferente, essa pilsen é recomendada para refrescar-se em dias quentes. Pode acompanhar amendoim ou frutas secas, mas o ideal mesmo é degusta-la solo, aproveitando todos os aromas que ela tem a oferecer.

Custo-benefício: adquirida por R$ 9,50 no Armazém Flor da Serra no Mercado Municipal de Curitiba em uma garrafa de 600 ml, teor alcoólico de 4,5%, essa pilsen vale o preço pago por ser um produto diferenciado.

Nota: 347 Skol

Mais informações em http://www.ratebeer.com/Beer/colorado-cauim/52384/

LA TRAPPE DUBBEL


Descrição: essa cerveja trapista escura tem uma espuma cremosa, marrom-clara e com duração relativamente longa. Seu corpo tem transparência normal, sua densidade é fina e sua coloração, marrom. Com aromas complexos, apresenta nuances de caramelo, notas cítricas (puxando para a laranja), terra e maçã. No primeiro gole já se percebe um forte amargor, que envolve a língua com um corpo médio e uma textura oleosa, permeada com uma carbonatação ativa. No final, o sabor torna-se levemente adocicado e depois metálico. Apesar da miríade de características, a Dubbel peca por tornar-se enjoativa devido às suas características. Recomendada para degustações com várias pessoas, de preferência no período da noite.

Custo-benefício: adquirida por R$ 14,52 no Sam’s Club de Curitiba, vale seu preço a título de conhecimento, mas não vale um repeteco tão cedo. Garrafa de 750 ml, 7% graduação alcoólica.

Nota: 54 Skol

WATERLOO DOUBLE DARK 8


Descrição: essa tradicional cerveja belga data de 1815 e traz consigo uma série de nuances. O leque de aromas que pode ser percebido começa com pão escuro e melado na família dos maltes. Também pode ser percebido um aroma cítrico, puxando para a laranja. Também consegue-se perceber maçã e, esse, afastando o copo (recomenda-se um trapista) do nariz e cheirando mais a extremidade oposta, percebe-se notas de Velho Barreiro, a conhecida aguardente brasileira.
A belíssima aparência é capitaneada por uma espuma inicial cremosa e de coloração marrom-clara, com longevidade duradoura. Seu corpo é consistente e opaco, com grossa densidade, além de apresentar uma tonalidade amarronzada.
O sabor inicial é um misto de amargor e doçura moderados e uma textura oleosa com lembra a irlandesa Guinness, porém com maior carbonatação. Seu final é um misto de forte amargor e percebe-se leves notas alcoólicas. Recomenda-se para degustações e para o período da noite, uma vez que a temperatura recomendada de 8ºC não é exatamente sinônimo de refrescância para cervejas.

Custo-benefício: adquirida por R$ 28 no Armazém Flor da Serra do Mercado Municipal de Curitiba, vale a pena seu valor, pela qualidade e pelo conteúdo de sua garrafa de 750 ml e teor alcoólico de 8,5%.

Nota: 360 Skol

DADO BIER RED ALE



Descrição: Essa red ale tem sabor moderado de malte, com notas pronunciadas de caramelos, bem como algo de flores também. Pode-se farejar ainda algo de ameixas secas e mel. Sua aparência deixa a desejar em termos de red ale (tomando-se por base a sua equivalente produzida pela microcervejaria BadenBaden, de Campos do Jordão). Apresenta espuma espessa e irregular, persistente no copo. Seu corpo é claro e borbulhante, com pouca densidade e coloração âmbar. PS - de acordo com pessoas da Eisenbahn e anônimos que comentam aqui no blog, a Red da Baden é uma Barley Wine. Deveriam reclamar com a cervejaria sobre isso, não comigo...
O primeiro gole não acrescenta nada ao paladar, com um misto de acidez e amargor leves, permeados por um corpo ralo, textura aguada e alta carbonatação, que nada tem a ver com as tradicionais red ales. O sabor que perdura puxa para algo acético, misturado com um aftertaste metálico. A melhor qualidade dessa royal ale 'fajuta' realmente é seu sabor, que tem algo de complexidade. Fora isso, sou muito mais a Baden Baden, a qual devo resenhar no ano que entra. Não sugerirei harmonizações nem horários porque simplesmente não recomendo essa cerveja aos leitores.
Custo-benefício: adquirida no Sam's Club de Curitiba por R$ 4,90, essa garrafa de 350 ml e teor alcoólico de 5,3% não vale nem a metade desse valor.
Nota: 8 Skol
Mais informações em http://www.ratebeer.com/Beer/dado-bier-red-ale/72409/

DADO BIER ROYAL BLACK


Descrição: Com forte aroma de malte tostado e café, essa royal black também apresenta cheiro de fumaça. Sua espuma tem aparência inicial borbulhante e desaparece rapidamente. Possui um corpo claro, ao contrário do que poderia esperar-se de uma royal ale. Seu corpo é formado de partículas minúsculas, densidade rala e coloração amarronzada. Seu sabor inicial é uma mistura de leve doçura com notas acéticas, permeados por um corpo leve, textura seca e alta carbonatação. No final do gole perdura uma sensação de notas alcoólicas moderadas, mesma intensidade da doçura – ambos permanecem por um longo tempo no paladar. Assim como a Red Ale da Dado Bier, essa Royal também deixa a desejar. Não recomendo para nenhuma ocasião nem refeição.

Custo-benefício: adquirida no Sam’s Club por R$ 3,90, essa garrafa de 350ml e teor alcóolico de 5,5%.

Nota: 14 skol

Mais informações em http://www.ratebeer.com/Beer/dado-bier-royal-black/72406

AECHT SCHLENKERLA RAUCHBIER MÄRZEN


Descrição: Para os que conhecem a Rauchbier da Eisenbahn, essa Smoked alemã é muito mais potente, em todos os aspectos. Seu aroma característico lembra a carne, fumaça e principalmente linguiça, do tipo blumenau. Sua espuma tem aparência inicial cremosa e coloração marrom clara, com pouca longevidade. Seu corpo é claro e sua densidade media, com tonalidade marrom. Ao primeiro gole nota-se um paladar salgado, também de linguiça blumenau. Seu corpo tem textura seca e carbonatação suave, características marcantes das Rauchbiers. O final do gole é marcado por um amargor médio e um toque metálico, sem perdurar muito no paladar, no entanto.

Recomenda-se bebe-la sozinha, sem acompanhamentos. Geralmente não costumo colocar observações aqui, mas, apenas para esclarecimentos, todos os sabores e dados que estou postando nas resenhas são sugeridos em formulários do site www.ratebeer.com. Portanto, nenhum dos sabores, aromas ou outras características foram meramente inventados por mim. Se eu não estudei sobre cerveja, o material que estou usando pra escrever meus diagnósticos foi elaborado por alguém que estudou.

Custo-benefício: adquirida por R$ 10,50 no Armazém Flor da Serra no Mercado Municipal de Curitiba, essa Rauchbier traz uma experiência única ao degustador, que pode conhecer a essência desse tipo de cerveja. Recomendável, mas pode ser meio enjoativa para alguns paladares menos acostumados.

Nota: 173 Skol

Mais informações em http://www.ratebeer.com/Beer/aecht-schlenkerla-rauchbier-m%E4rzen/1269/

TIPOS DE COPO - FLUTE


Introdução

O tipo de copo utilizado pode parecer um detalhe pequeno, mas influencia diretamente na experiência com a cerveja. Na minha percepção, muita gente ainda subestima esse fator, usando qualquer recipiente disponível, quando na verdade o formato do copo pode destacar — ou prejudicar — aroma, espuma e até a percepção do sabor.

Por que o copo faz diferença

Cada estilo de cerveja possui características próprias, como nível de carbonatação, intensidade aromática e formação de espuma. O copo adequado ajuda justamente a valorizar esses pontos.

Os belgas são conhecidos por levar isso a sério, criando copos específicos para diferentes estilos. Já em muitos outros lugares, é comum ver cervejas sendo servidas em copos genéricos ou até descartáveis, o que acaba limitando a experiência.

Usar o copo errado não “estraga” a cerveja, mas pode reduzir bastante o aproveitamento. Aromas podem se dissipar mais rápido, a espuma pode se formar de maneira inadequada e certas características simplesmente deixam de ser percebidas.

Resolvi começar uma série falando sobre tipos de copo e como cada um influencia na experiência. Para começar, o Flute.

O copo flute

O Flute é um copo alto, estreito e geralmente sustentado por uma haste. Seu formato lembra bastante as taças usadas para espumantes, o que já dá uma pista sobre sua principal função: valorizar bebidas com alta carbonatação.

Esse formato alongado ajuda a manter o perlage (as bolhas subindo de forma contínua), além de preservar melhor a espuma e direcionar os aromas de forma mais sutil.

Por ser mais delicado e estreito, não é o tipo ideal para cervejas intensas, escuras ou muito complexas, já que limita a liberação aromática mais ampla.

Para quais cervejas é indicado

O Flute funciona melhor com cervejas leves, claras e bastante carbonatadas. Entre os exemplos mais comuns:

  • Lambics frutadas
  • Algumas Pilsners mais delicadas
  • Cervejas com perfil mais seco e efervescente

Nesses casos, o copo ajuda a destacar o frescor e a vivacidade da bebida.

Experiência de uso

Na prática, usar um Flute traz uma sensação mais refinada ao consumo, muito por conta do visual elegante e da forma como as bolhas se comportam no copo. Considero uma escolha interessante para ocasiões mais específicas, mas não exatamente um copo “coringa” para o dia a dia.

Conclusão

O Flute é um bom exemplo de como o copo certo pode valorizar determinadas características da cerveja, especialmente a carbonatação e o frescor. Me parece uma opção mais adequada para estilos leves e efervescentes, funcionando melhor em contextos específicos do que como uma escolha universal.

Resumo da avaliação

• Tipo de copo: Flute
• Formato: Alto e estreito, com haste
• Destaque: Preserva carbonatação e espuma
• Indicação: Cervejas leves e efervescentes
• Não indicado para: Cervejas escuras e complexas
• Versatilidade: Baixa
• Impacto na experiência: Médio-alto
• Recomenda?: Sim, para estilos específicos

LAGER GLASS


Copos curtos, com capacidade para não mais que 350 ml de cerveja. Eles são ligeiramente mais largos na boca do que na base, com lados igualmente inclinados. Esse copo despretensioso é um ótimo recipiente básico para se beber, adequado para lagers claras como as americanas padrão, dortmunders e as helles (http://www.ratebeer.com/Beer/5-seasons-munich-helles/10978/). Vienenses claras, americanas escuras, ales cremosas e golden ales populares também ficam ótimas nesse copo.

FONTE: http://www.ratebeer.com/Story.asp?StoryID=124

COPO PARA KÖLSCH/ALTBIER


Similar ao copo para Lagers, com lados retos e geralmente um pouco menor. O copo Kölsch em particular tem um visual parecido com um revólver quando seis deles estão amontoados em uma mesma bandeja. São planejados para serem sorvidos em um par de goles, o que é uma boa forma para beber uma Alt ou uma Kölsch - depois que você já tenha escrito suas observações. Copos para Alts são ligeiramente mais curtos e mais 'gordinhos' que os copos para Kölsch. Ambos permitem a formação de generosas espumas, mas deixam a desejar no desenvolvimento de aromas ou para discernir particularidades.

SHAKER


O padrão da microcervejaria americana. Um copo de aproximadamente 480 ml, gentimente inclinado e feito para sessões de degustação. Ales dos tipos Amber, Inglesa, Pale Americana e escuras para degustação são tipicamente servidas nesses copos, que são mais conhecidos por sua durabilidade que por algum benefício específico. É por essa razão que alguns 'nerds' de cerveja desenvolveram um certo ódio pelo shaker.

ENGLISH PINT


Essa modalidade de pint (lê-se páint) tem um propósito similar ao shaker, já que são feitos para ales de degustação, no caso amargas, suaves, porters e stouts. No entanto, há algumas diferenças chave. Primeiro, eles têm o conteúdo correto de um pint (e geralmente uma linha indicando quando o líquido atingiu tal conteúdo, apenas para garantir que você não está sendo ludibriado). Segundo, eles são um pouco mais decorados que o insosso shaker. Há basicamente duas variantes. A primeira apresenta uma gentil curva cobrindo os 2/3 superiores do copo - variante esta usada pela Guinness. A segunda tem uma inclinação nos dois terços inferiores e então uma saliência próxima ao topo, que vai sendo atenuada até a borda do copo.

DIMPLED MUG (CANECA DE VIDRO)


Um clássico na América do Norte, a dimpled mug (a tradicional caneca de vidro com indentações) é uma caneca larga, com depressões e uma alça. É convexa, com a borda mais larga que a base. Os donos de bar a adoram por seu vidro ser grosso. Enquanto as indentações tornam a apreciação da aparência da cerveja mais difícil, a boca larga libera o aroma perfeitamente. Apesar dessas canecas serem mais comumente usadas para lagers ordinárias, sua larga boca traz com facilidade os aromas à tona, tornando-as mais recomendáveis para brown ales aromáticas (particularmente as mais turvas), bocks, lagers escuras - ales bem encorpadas também são ótimas escolhas. Uma vantagem da alça é evitar que a cerveja esquente, caso você goste dela bem gelada.

FONTES: ratebeer.com e the beer store

STEIN


Os Steins bavarianos são de longe os mais ornados recipientes para se beber cerveja. Geralmente são feitos de cerâmica ou pedra, e são minuciosamente decorados com cenas da natureza, castelos e vilas. Eles apresentam uma variedade de tamanhos, usualmente 0,5 L, 1L ou 2L - as doses preferidas dos bebedores bavarianos. Se por um lado os Steins não ajudam em nada na aparência da cerveja, não há dúvida que essas belíssimas peças de art folk (mesmo os feitos em fábricas ainda são muito bonitos) já chamam atenção por si mesmas. O aspecto aromático não é tão realçado quanto nos receptáculos feitos de vidro, mas o sabor é livre . Felizmente, alguns Steins tem tampas, que você pode usar para enclausurar os aromas de forma que quando a tampa seja aberta você possa sentir uma grande 'lufada' de malte (ou fumaça, se estiver bebendo rauchbier). Outra vantagem da tampa é manter insetos longe da cerveja se você estiver acampando, ou protegê-la da fumaça de cigarros em bares muito apertados. São recomendados para qualquer estilo de lager alemã.


Veja modelos em www.steincenter.com

FOOTED PILSNER


Um copo pequeno de lados quase retos, que é sustentado por uma haste e pé de uma polegada de comprimento. A forma de base desse copo é meio tonta até, mas felizmente alguns cervejeiros tiveram a feliz idéia de adicionar-lhes características de copos 'tulipa' para incrementar as coisas. O Footed Pilsner básico tem um fundo ligeiramente bulboso e uma boca mais estreita, o que o torna melhor para beber do que para cheirar - e dá mais ênfase à aparência. Ele tem um pouco mais de estilo que os outros copos, o que o credencia mais para beber pilsner e boas ales cremosas ou douradas em vez de lagers de baixa qualidade.

TULIPA


O copo mais variado no mundo da cerveja. Esse estilo já vem circulando por um tempo, mas apenas recentemente começou a conquistar os amantes de cerveja mundo afora. Esse é o perfeito utilitário para se saborear cerveja: seu fundo bulboso incrementa o ato de beber bem, sua boca larga permite ótima formação de espuma e soltura de aromas, e tem altura suficiente para servir desde as mais simples até as mais complexas cervejas de degustação. Cervejas fortes, como as no estilo trapista ou bocks, também se apresentam bem no tulip. Sua boca ampla traz o 'nariz' da cerveja à tona, enquanto seu corpo rotundo permite esquenta-la, intensificando maravilhosos sabores. O copo Duvel da foto é uma conhecida e bem sucedida variante do estilo tulipa.

ps - o nome em inglês do copo é tulip
ps 2 -
tulip [ˈtjuːlip] noun
a kind of plant with brightly-coloured cup-shaped flowers, grown from a bulb. Tulipa, em português.


FONTES: ratebeer.com e the beer store

THISTLE


Com um quê de obscuro, esse copo é usado pelos belgas para beber ales escocesas. Possui base e uma pequena haste. Sua base extremamente bulbosa lhe confere elementos de snifter (copo que potencializa os aromas e que será apresentado aqui nesse blog em breve), mas então a metade de cima apresenta lados retos que angulam para cima. Sua borda possui praticamente o mesmo raio que o bulbo, no fundo. Apesar do seu visual estranho, ainda não foram provados quaisquer benefícios proporcionados pelo thistle na degustação da cerveja - seu formato engraçado faz o ato de beber quase estranho, enquanto sua 'boca' não é larga o suficiente para prover um aroma mais amplo.

YARD OF ALE


De algum modo, esse é meramente uma versão alongada do Thimble. É verdade que ele não possui base nem haste, em vez disso consiste de um bulbo seguido por uma longa, fina e oblíqua seção externa, que acaba por suavizar-se no final. Originalmente, elas eram usadas por condutores de diligências que não podiam parar para tomar um drinque sem largar das rédeas (assim, o primeiro drive-thru do mundo foi uma estalagem em algum lugar da Inglaterra durante a Revolução Industrial). Pelo fato de seu fundo ser bulboso e sem haste, o Yard of Ale não se sustenta sozinho e requere um suporte de madeira.

FONTE: ratebeer.com

WEIZEN


O clássico copo alemão para cerveja de trigo é alto, esguio e oblíquo em sua parte superior. Seu design acentua tanto a aparência turva de uma hefeweizen clássica como também permite uma formação abundante de espuma. Geralmente comportam 0,5l de cerveja. Um defeito desse copos é que, com tanto superfície de vidro 'exposta' à atmosfera, a cerveja esquenta mais rapidamente do que deveria em um dia quente de verão. Alguns modelos podem ser encontrados no Mercado Municipal de Curitiba.

TUMBLER


Mais conhecido como o "copo da Hoegaarden", os tumblers são copos de degustação com uma inclinação bem delicada, embora o copo Hoegaarden tenha uma maior convexidade no topo do copo. Esse copos 'sem graça' são usados para witbiers, de modo a enaltecer a origem de "trabalhadores braçais da roça" derivada desse estilo. Para espanto dos norte-americanos, são também usados na Bélgica para beber o estilo gueuze. Sorte deles que têm as gueuze e lambics como as mais tradicionais cervejas de degustação de seu país!
FONTE: ratebeer.com

BOWL


Usada para cervejas de trigo berlinenses, a 'tigela' é um copo baixo e largo que também pode servir muito bem para comer muesli e iogurte. Esse copo é muito estiloso, mas também funciona bem com as berliner weisse quando o estilo é adulterado por xarope de framboesa, o que são praticamente sodas alcoólicas, o que faz com tão absurdo recipiente faça sentido. Alguns manuais mostram as berliner weissebeers como uma versão com haste da 'tigela' (quase um bolleke, o que é um intermédio entre a tigela e um copo trapista), e a elegância adicional da haste parece funcionar bem.

COPO TRAPISTA


Os copos trapistas são 'bowls' (vistos ontem aqui no Dr-beer) com base e longas hastes. Funcionam bem com as complexas abbey ales para as quais eles foram projetados. Primeiramente, eles possuem bocas bem largas, que permitem que pomposos colarinhos se desenvolvam sem se tornarem grossos demais para um bom beber. Essas 'boconas' possibilitam que os mais complexos aromas sejam percebidos em sua plenitude. Sua área permite uma perfeita exibição do líquido, e faz as mais conceituadas cervejas parecerem ainda mais apetitosas.

STEM GLASSES


Surpreendentement comum, apesar de seu estilo desconhecido. Eles são tipicamente mais curtos, menores e possuem hastes e a porção de vidro é ligeiramente irregular em sua trajetória. Usualmente possuem alguma convexidade, mas não muita. Ocasionalmente são bem retos, com fundos arredondados que basicamente formam um quadrado.

SNIFTER


Independentemente de serem 'snifters' apenas para brandies ou variantes, são mais comumente usados para barley wines ('vinhos de cevada'), eisbocks e imperial stouts. Possuem hastes e bases, são bulbosos no fundo e estreitam em toda sua extensão até o topo. Pelo fato dos barley wines geralmente formarem pouca espuma, sua boca estreita executa seu trabalho perfeitamente, mas inibe um pouco a soltura de aromas, o que é compensado pela aparência elegante que o snifter confere à cerveja. Outras variantes de snifter feitos exclusivamente para beber cerveja tem bocas mais largas que a média justamente por essa razão.

FONTE: ratebeer.com

PUB GLASS


O pub glass é ótimo para vários tipos de ales, que como vinhos tintos, precisam de copos com bocas bem largas. A abundância de aromas pode subir até o topo para cumprimentar o bebedor enquanto sua base estreita permite que o copo se aqueça ligeiramente. Esse estilo de copo é um excelente parceiro para as stouts.

FONTE: the beer store

HOURGLASS (AMPULHETA)


A "ampulheta" é um copo multi-dimensional. Apesar de ser alto e estreito, possui uma boca que possibilita desprender uma série de sabores e aromas. Você pode optar entre usa-lo para beber uma ale ou lager âmbar e saborear uma grande cerveja.

FLAIRED PILSENER


As pilseners são lagers ligeiramente mais amargas e aromáticas e portanto precisam de um copo que incorpore o estilo. Esse copo tem uma grande e larga boca aberta para soltar maravilhosos aromas e um ligeiramente corpo maltoso, bem como um corpo alto e esguio, para manter fria a cerveja.
Fonte: the beer store

AMBER CHALICE


Esse é um grande copo, perfeito para grandes cervejas - tanto faz se for uma escura, âmbar, marrom ou até mesmo uma stout - esse copo realmente expõe os mais magníficos aspectos de uma cerveja.


Com esse belíssimo copo encerramos por ora essa série sobre os copos utilizados para se beber cerveja adequadamente. Caso eu tenha esquecido de algum, digam qual foi no comentário. Se tiverem links e fotos, podem enviar também.

Nos próximos posts voltarei a analisar cervejas (para tristeza de alguns) e iniciarei também uma série sobre os infinitos tipos de cerveja existentes.

Aguardo comentários, sugestões e críticas construtivas de todos!


Cheers!

BADEN BADEN 1999


Descrição: Assim como toda a linha da microcervejaria Baden Baden, de Campos do Jordão, a bitter ale 1999 é uma cerveja refinada, realmente artesanal, como anunciado por seus produtores.
Á primeira vista, já surpreende o degustador com uma espuma vistosa e cremosa, de ótima aparência e coloração, com grande permanência no copo. Sua coloração âmbar é pautada por uma claridade normal e densidade fina, consistência rala essa que talvez seja a sua maior 'falta'.
Os aromas são variados, englobando notas de melado, citrus (puxando para a laranja), vinho do porto ruby e álcool. Alguns deles se destacam mais no final, quando a cerveja já apresenta temperatura mais amena.
No paladar, a primeira impressão é um misto de amargor e doçura leves, conduzidos por um copo que envolve a língua em uma textura aguada e um corpo intermediário entre leve e médio. No meio do gole, nota-se uma leve carbonatação, percebendo-se algumas notas marcantes de cevada. Seu final apresenta forte amargor, sensação metálica e perdura por um longo tempo no palato, como toda bitter ale de respeito.
Não vejo distinção climática para aprecia-la, mais uma vantagem. Para os fissurados por pilsen e/ou recém-iniciados, pode ser complexa demais.
Custo-benefício: adquirida no Sam's Club de Curitiba por R$ 4,50 (já a encontrei por até 250% desse valor, que ainda vale a pena), foi uma barganha, principalmente para os que querem conhecer.

Nota: 830 skol

BUDWEISER


Descrição: Dentre os muitos símbolos do capitalismo norte-americano, a cerveja Budweiser se destaca como sendo um dos mais conhecidos, principalmente por seu vínculo com esportes yankees, como o futebol americano.

Apesar do estigma, sua reputação a precede, mas de uma boa maneira. Analisando-a em seu âmago, como uma boa pilsen, a Bud é realmente ótima no que se propõe, talvez por isso seu limitado aroma cítrico (puxando para o limão) com alguns resquícios de melado, seja a sua mais pobre característica. Em termos de aparência, também nada de extraordinário. Sua espuma é média, branca e desaparece rapidamente. Seu corpo é amarelo claro, transparente e borbulhante, além de ralo, com textura aguada.

O primeiro gole revela uma leve acidez permeada por um gostinho salgado, impressão essa que muda para um amargor leve e uma sensação metálica no final. Sua grande sacada é ter durante todo o gole um sabor frutado, leve e refrescante. Desce fácil e a sensação de refrescância traz à tona aquela sensação de ‘quero mais’. Assim como todas as pilsen, deve ser aberta não muito tempo após o envase (degustei-a dois meses após) para ser aproveitada em sua plenitude. Recomendada para dias de calor e acompanha bem petiscos e sanduíches.

PS – o exemplar da foto foi envasado na Argentina, cuja garrafa local de 1 litro é conhecida como ‘nhonho’, muito popular naquele país e na região do Rio de Prata em geral. As long-necks encontradas nos supermercados brasileiros perdem bastante em qualidade, assemelhando-se mais às pilsen brasileiras tradicionais.

Custo-benefício: os portenhos a encontram por R$3, no máximo. No Brasil, já vi por R$5. Dada a quantidade, é um grande negócio. As long-necks, encontradas por valores entre R$ 1,50 e 2,00, perdem em qualidade e não valem tanto a pena.

Nota: 150 Skol


ESTILOS DE CERVEJA


















Os estilos de cerveja são, em geral, divididos em duas famílias, denominadas Ales e Lagers. A principal diferença entre elas é o tipo de fermentação empregada no processo.

As ALES são fermentadas com o fermento Saccharomyces Cerevisiae, a temperaturas mais altas que as LAGERS. Essa temperatura gira, dependendo do tipo de cerveja, em torno de 20º C. Além disso, o fermento tende a ficar em suspensão no tanque durante o processo de fermentação. Por esses motivos são consideradas cervejas de alta fermentação.O resultado deste processo são cervejas geralmente frutadas, que se caracterizam por apresentarem aromas e sabores complexos, com notas, em muitos casos, de especiarias.

Como os padres foram grandes produtores de cerveja, o termo ALE, acredita-se, vem da palavra anglo-saxã ALU, que significava um êxtase religioso. O fato de serem consideradas cervejas de alta fermentação não significa que tenham necessariamente teor alcoólico mais alto que as Lagers. Também não são necessariamente escuras. Existes Ales de baixo e alto teor alcoólico, assim como claras e escuras. Até o ano de 1400, quando se começou a fabricar cervejas Lager, todas as cervejas eram Ales.

As LAGERS são as chamadas cervejas de baixa fermentação. Fermentadas a temperaturas mais baixas que as ALES, em torno de 10º C, são produzidas com o fermento Saccharomyces Carlsbergensis.São muito pouco ou nada frutadas, com aromas e sabores de cereais (cevada e/ou trigo), pão e lúpulo. No caso das Lagers escuras, predomina o sabor de cereal torrado, parecido com o do café.

Assim como acontece com as Ales, existem Lagers de baixo e alto teor alcoólico, assim como escuras e claras. Acredita-se que as Lagers tenham surgido por volta de 1400, no sul da Alemanha. Como a produção de cerveja exige temperaturas amenas, não se produzia cerveja no verão, já que a refrigeração foi inventada somente em 1873. Os alemães descobriram que sob os Alpes a temperatura ficava baixa mesmo no verão. Com isso, passaram a produzir maiores quantidades na primavera e armazenavam a cerveja nesses “armazéns” sob as montanhas. Como a temperatura nessas cavernas ficava bem abaixo dos 20º C, houve uma mutação no fermento da ALE utilizado até então, passando a se adaptar melhor a temperaturas mais baixas. O resultado foram cervejas mais límpidas e menos complexas que as existentes até então. LAGER significa armazém em alemão. Daí a origem do nome dessa família.

A imagem de hoje é da 'árvore genealógica' das cervejas, a partir da qual procurarei, de hoje em diante, postar sobre as características de cada uma das membras dessa enorme família, sempre com a foto de um exemplar da mesma. Existem ainda alguns tipos que não constam na imagem e que procurarei também falar sobre os mesmos.

Cheers!

Fonte: eisenbahn.com.br

CERVEJAS DE TRIGO

Geralmente produzidas com 50% de malte de trigo e 50% de malte de cevada. A adição de trigo lhes confere textura cremosa, cor pálida e aroma suave, como os de banana e cravo. Geralmente sofrem alta fermentação (na Alemanha, são obrigadas por lei). Variam entre as bem claras e leves, como as Weizenbier, indo até as mais alcoólicas, escuras e encorpadas, como as Weizenbock. Geralmente não são filtradas, o que lhes dá sua característica aparência turva.
Recomenda-se servi-la em copos especiais, como os vistos em nossa recente série sobre copos. São recipientes que comportam meio litro de líquido, mais um adicional para a espuma. Eles são altos e vão convergindo a medida que sobem. Mais detalhes, na seção anteriormente mencionada.
Amanhã se inicia a subseção desse tipo de variedade de cerveja, a começar pela Witbier, também conhecida como Belgian White.
Dentre as Weizenbier e Weizenbocks que já provei e não resenhei aqui, recomendo as Eisenbahn - ótimas representantes do gênero.
Até amanhã!

Cheers!

BELGIAN WHITE (WITBIER)


As cervejas de trigo estilo belga são bem pálidas, opacas, com a característica fresca do trigo mais o frescor característico de casca de laranja e cheiro verde. Algumas ainda apresentam aveia como ingrediente, para dar suavidade, mesma utilidade dos 'grains of paradise' (não consegui achar a tradução desse termo, aguardo colaborações) utilizados nela. Recomenda-se servi-la com queijos leves ou mexilhões. A Witbier, Cerveja branca, (do francês bière blanche), ou simplesmente Witte é uma cerveja de trigo/cevada (pode ser feita de trigo puro, com adição de malte de trigo) envasada principalmente na Bélgica, embora hajam alguns exemplos nos Países Baixos e arredores. Ela leva seu nome devido ao levedo suspenso e às proteínas do trigo que fazem a cerveja parecer turva, ou branca, quando está gelada. Ela é descendente daquelas cervejas medievais não envasadas com lúpulo e que em vez disso são condimentadas com uma mistura de pimentas e outras plantas conhecidas como 'gruut' – adição essa que a diferencia de outras variedades. Portanto, ela usa gruut, embora hoje em dia o gruut consista principalmente de cheiro verde, laranja, laranja amarga e lúpulo. Seu gosto é apenas ligeiramente lupulado, e muito refrescante no verão. Essas cervejas tem um gostinho azedo devido à presença de ácido lático. A presença de levedo suspenso na cerveja causa fermentação contínua na garrafa.


A Southampton Double White Ale (na foto) é um ótimo exemplo dessa classe de cerveja, sendo uma das mais consideradas no ratebeer.com, e também pode ser encontrada em http://ratebeer.com/Beer/southampton-double-white-ale/4611/.


Para os que já provaram dessa variedade, aguardo contribuições. Provei uma ontem, a Hoegaarden (recentemente importada pela Inbev) e depois dessa série postarei sua análise.


Cheers!

Fontes: ratebeer.com e wikipedia

WEISSBIER


As weissbier são cervejas produzidas com uma proporção significativa de trigo e comumente contém malte de cevada. A adição de trigo lhes confere um aroma leve a cor 'pálida'. As weissbier geralmente têm alta fermentação (na Alemanha elas têm que ser por lei). Se distinguem por sua textura cremosa e doce aroma, e alguns estilos tem notas de banana e cravo.

Ontem provei um exemplar da espécie, a Leffe Blond, e tão logo acabe essa série sobre os estilos de cerveja, estarei postando sua análise.


Cheers!

BERLINER WEISSE


A Berliner Weisse é um tipo de cerveja de trigo envasado exclusivamente na área de Berlim, na Alemanha, cidade onde foi mencionada pela primeira vez em 1642. Adentrando o século 19, a Berliner se tornou a mais popular bebida de sua cidade de origem. Elas contêm apenas algo entre 2.8% de volume alcoólico, o que as torna uma das mais fracas cervejas alemãs. É feita com o processo de alta fermentação, ligeiramente turva e relativamente azeda, o que a diferencia significativamente das outras cervejas alemãs de trigo. Quase não se percebe a presença de lúpulo. A temperatura ideal para bebê-la oscila entre 8 a 10 °C.É servida em uma grande taça com um canudo. Devido ao seu sabor azedo, é comumente bebida misturada com xarope de framboesa ou limão. Essa mistura é muito refrescante e é servida durante os meses quentes de verão em Berlim. Outras misturas, como por exemplo espumantes ou licores como creme de cássis são também populares.

O exemplar da foto é a Southampton Berliner Weisse e pode ser encontrado em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=24459.


Cheers!

DUNKELWEIZEN


Versões escuras das cervejas alemãs de trigo, as dunkelweizens apresentam notas de banana e cravo assim como suas primas claras, mas também exalam notas tostadas, de terra e de chocolate provenientes da adição de maltes escuros. São mais robustas que as hefeweizens para o outono e primavera, mas não tão ricas quanto as weizenbocks para o inverno. Seu teor alcoólico oscila entre 4.8-5.6%, tem baixo amargor e alta carbonatação.

A exemplar desse estilo na foto é a Victory Sunset Dunkelweizen, cujos detalhes podem ser vistos em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=632.

Amanhã a escolhida será a Hefeweizen alemã. Até lá!


Cheers!


Fonte: ratebeer.com

HEFEWEIZEN ALEMÃ


A Hefeweizen é um estilo alemão de cerveja de trigo na qual o levedo não é filtrado.Dependendo do estilo ela pode variar da cor clara e corpo leve à cor marrom escura e encorpada. Esse estilo é tem a particularidade de apresentar baixo amargor de lúpulo (em torno de 15 IBUs - International Bitterness Unit, ou Unidade Internacional de Amargor) e relativamente alta carbonatação, considerada importante para balancear a relativa 'doçura' que o malte confere à essa cerveja.

Outro elemento balanceador único ao estilo é a sua característica fenólica, resultado da fermentação do lúpulo, adequado ao estilo. Tal característica dá a cerveja as notas que alguns descrevem como 'cravo' e 'medicinal' (ou band-aid), mas também algo de defumado. Outras notas presentes são as de banana e algumas vezes baunilha. Os maiores sucessos comerciais do estilo são produzidos por Paulaner, Erdinger, Schneider Weisse (apenas a original ), Franziskaner, Rothaus, Hacker-Pschorr, Ayinger (Bräu Weisse) and Weihenstephan.

Na foto a sensacional Paulaner Hefeweizen, recomendadíssima. Veja mais detalhes em http://ratebeer.com/Beer/paulaner-hefeweissbier/647/
Amanhã aqui nesse beerlog a Kristallweizen alemã. Até lá!
Cheers!

KRISTALLWEIZEN


Cerveja alemã de trigo filtrada, também conhecida como Kristall Weißbier ou Kristallweizen. É frequentemente servida com uma rodela de limão na borda do copo, ou no próprio copo. Seu nome vem da aparência clara da cerveja filtrada, por isso 'krystall'. Justamente essa característica, juntamente com sua coloração borbulhante, acabaram ajudando esse estilo a ser descrito por muitos amantes de cerveja como 'hefeweizens castradas'.

Elas possuem a clássica carbonatação das cervejas de trigo e as mesmas notas ácidas de trigo e os componentes clássicos de banana, chiclete e pimenta. Seu corpo é leve e seu teor alcoólico gira em torno de 5%, com 'margem de erro' de 0,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Um belo exemplar do estilo já foi resenhado aqui, a Schneider Weisse Kristall, com muito prestígio. A mais bem colocada no ratebeer.com, no entanto, pode ser vista na foto e também encontrada em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=4584.

Amanhã continuaremos nossa sub-seção de cervejas de trigo com um dos mais antigos estilos já produzidos, a Lambic. Até lá!


Cheers!

LAMBIC


A Lambic é um tipo muito particular de cerveja envasado apenas na região de Pajottenland, na Bélgica (sudoeste de Bruxelas). Ao contrário de ales e lagers convencionais, que são fermentadas através de um cuidadoso cultivo de famílias de levedo, as Lambic, ao invés disso, são cervejas de trigo feitas com lúpulo podre e fermentadas com levedo selvagens e outros microorganismos . Essa cerveja é envelhecida de um a três anos em barris de madeira. São produzidas por fermentação espontânea - é esse processo pouco usual que dá a cerveja seu sabor tão particular: seco, lembrando vinho e cidra, com um retrogosto ligeiramente azedo. É um dos mais velhos estilos de cerveja produzido atualmente e um dos mais complexos. Ocasionalmente estão disponíveis em versões desvinculadas do barril, mas são mais comumente encontradas como 'gueuzes', uma mistura borbulhante e parecida com vinho, armazenada em vários barris ou em versões em que a cerveja foi maturada com frutas. Os tipo mais tradicionais das lambic de fruta são kriek (cereja) e framboise (framboesa). Em tempos mais modernos, pêssgo, cassis, uvas e frutas mais exóticas também estão sendo usadas. Muitas lambics são adocicadas para cortar sua acidez intensa. Recomenda-se servi-la com queijos fortes ou pratos com picles, ou também usa-la na preparação de mexilhões.

O exemplar da foto é uma lambic de amoras e pode ser encontrado em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=66438.


Amanhã veremos aqui sobre a conhecidíssima, deliciosa e ncorpada Weizenbock. Até lá!

WEIZENBOCK


Cervejas de trigo fortes e escuras. Têm mais malte e álcool do que é tipicamente associado a uma cerveja de trigo. A Weizenbock é feita no estilo bock (lager forte, envasada com maltes de alta coloração)originado na Alemanha.

No Brasil, o exemplar da Eisenbahn é o melhor que já provei. Utiliza 5 maltes, tem alta graduação alcóolica e uma míriade de aromas. Procurarei resenha-lo tão logo tenha fim a seção de estilos de cervejas.

Na foto, o mais bem votado exemplar dessa família no ratebeer. Detalhes podem ser vistos em http://www.ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=49981


Fonte: wikipedia e ratebeer

ALE DE TRIGO


Com coloração entre o dourado e âmbar claro, seu corpo fica entre leve e médio. O trigo lhe dá frescor e, de quebra, alguma acidez. Algum aroma de lúpulo também pode estar presente, mas seu amargor é baixo. Não tem tanta presença de ésteres como as cervejas de trigo alemã ou de estilo belga. Recomenda-se bebe-las em shaker ou em weizens.

Na foto, a Bells Wheat Two Ale, 4ª melhor colocada do estilo em ratebeer.com


Com essa postagem sobre a Wheat Ale, terminamos hoje nossa subseção sobre cervejas de trigo. A próxima será sobre Stouts e Porters, uma família de classe e respeito.

Comemoramos ontem nossa 50ª postagem e quase mil impressões de páginas. Com esses números ainda modestos, mas crescentes a cada dia, convido todos a continuarem acessando e participando desse beerlog - e divulgando, caso estejam gostando.


Long live to Dr. Beer!

Cheers!

BALTIC PORTER

Entramos hoje em mais um capítulo de nossa série de estilos de cerveja, o de porters e stouts. O primeiro deles será protagonizado pela Porter Báltica. Vamos lá.
Essa é uma versão da Porter envasada na Finlândia, Estônia, Lituânia, Polônia e Rússia. O que já foi uma cerveja de alta fermentação é geralmente envasada como uma cerveja estilo lager de baixa fermentação em cervejarias eslavas e bálticas. As porters bálticas são tipicamente fortes, doces e de baixa fermentação. Não possuem a poderosa tostagem de uma imperial stout, mas tem um grande e intenso traço de malte. Sua graduação alcoólica varia entre 7% e 9,5%.
Veja mais detalhes do exemplar da foto, o terceiro melhor colocado do estilo em ratebeer.com, no endereço
ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=7231
Nossa próxima postagem será sobre a Dry Stout. Até lá!

Cheers!