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quinta-feira, 18 de junho de 2026

BIÈRE DE GARDE

Pouco mais de três meses após sua criação, o beerlog Dr. Beer chega a 100 posts, ultrapassando 1800 impressões de páginas, resultado este que me deixa muito satisfeito em se tratando de um blog novo e com assunto nem tão popular assim. Meu agradecimento aos visitantes regulares e aos que dão uma passadinha de vez em quando, é graças a vocês que ele continua funcionando. São todos bem vindos a continuar visitando, comentando, aprendendo, compartilhando e, se gostarem do conteúdo e se interessarem em ajuda-lo a se manter funcionando!
Long live the Dr. Beer!

Aos trabalhos.
A Bière de Garde, ou 'cerveja de guarda', é um estilo de ale tradicionalmente envasado em Pas-de-Calais, região da França. Esses estilos 'coloniais' de cerveja eram geralmente produzidos no inverno e na primavera, para evitar problemas imprevisíveis com o levedo durante o verão.

Tipicamente, cervejas desse estilo são de coloração cobre, mas variam de dourado a quase preto, e o nome sugere que as origens do estilo estão na tradição do maturamento por um período de tempo após o engarrafamento (e fechada com rolha), para ser consumida mais tardiamente no ano. Seu corpo é leve, com notas de caramelo ou toffee. Cheiro e sabor de adega são característicos. Apresenta boa retenção de espuma.

O exemplar da foto se chama Jolly Pumpkin Bière de Mars Grand Reserve e pode ser encontrado em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=57359
Continua amanhã a subsérie sobre Belgian-style Ales com a Faro, uma subvariedade de Lambic. Até lá!
Cheers!

SCOTCH ALE


Embora não sejam encontrados muitos exemplos desse estilo na Escócia, Scotch Ales fortes fizeram seu caminho no Novo Mundo. O termo denata uma Ale forte, escura e maltada, tipicamente apresentando teor alcoólico que oscila entre 6,5% e 8,5%. O malte apresenta traços de caramelo e toffee, mas se distingue principalmente pelo uso de malte defumado em materiais orgânicos, como o musgo. Seu caráter geral é doce, algumas vezes lembrando terra, defumado ou alcoólico também. Usualmente o levedo é restrito.

O exemplar da foto se chama AleSmith Barrel Aged Wee Heavy e pode ser encontrado em http://ratebeer.com/Ratings/Beer/Beer-Ratings.asp?BeerID=57693

Segue amanhã a subsérie sobre Anglo-American Ales com o subestilo Scottish Ale. Até lá!

Cheers!
Fonte: ratebeer

11) ENGLISH BROWN ALE 11a) MILD


Aroma: baixo a moderado aroma de malte e pode ter alguma frutagem. A expressão de malte pode assumir uma ampla gama olfativa, que pode ser caramelado, tostado, levemente assado, lembrar grãos, nozes ou chocolate. Baixo a nenhum aroma de lúpulo. Muito pouco a nenhum diacetil.
Aparência: coloração cobre a marrom-escuro ou mogno. Alguns poucos exemplos mais claros (âmbar médio a marrom-claro) existem. Geralmente clara, embora seja tradicionalmente não-filtrada. Espuma baixa a moderadamente esbranquiçada a bronze. A retenção pode ser pobre devido a baixa carbonatação, uso de adjuntos ou baixa gravidade.
Sabor: geralmente uma cerveja maltada, embora possa ter um escopo bem largo de sabores baseados em malte e levedo (ex: maltado, doce, caramelo, toffee, torrado, nozes, chocolate, café, assado, vinho, frutado, alcaçuz, melado, ameixa, ameixa-seca). Pode terminar seca ou doce. Versões com maltes escuros podem ter um final seco e tostado. Baixo a moderado amargor, suficiente para prover algum balanço, mas não para sobrepor o malte. Ésteres frutados moderados ou nenhuns. Diacetil e sabor de lúpulo baixos ou nenhuns.
Paladar: corpo leve a médio. Geralmente com carbonatação baixa a média-baixa. Versões tostadas podem ter leve adstringência. Versões mais doces podem aparentar uma sensação bem cheia na boca, devido à gravidade.
Impressão geral: cerveja de sabor leve e malte acentuado que serve perfeitamente para beber em quantidade. Refrescante, ainda que saborosa.algumas versões podem se parecer com Brown Porters de gravidade mais baixa.
História: pode ter evoluído como um dos elementos das Porter antigas. Em termos modernos, o nome ‘mild’ se refere à relativa falta de amargor de lúpulo (isto é, menos lupulada que uma Pale Ale, e não tão forte). Originalmente, a ‘suavidade’ pode ter se referido ao fato de que esta cerveja era jovem e ainda não tinha o azedume moderado que os lotes envelhecidos apresentavam. Algo rara na Inglaterra, boas versões ainda podem ser encontradas nas redondezas de Birmingham.
Comentários: a maior parte concentra cervejas de degustação de baixa gravidade na faixa 3,1-3,8%, embora algumas versões possam estar em faixas mais fortes (4%+) para exportação, festivais, sazonais e ocasiões especiais. Geralmente servida em barris; versões engarrafadas com teor alcoólico para degustação geralmente não encaram bem longas viagens. Um amplo panteão de interpretações é possível.
Ingredientes: maltes-base Pale English, (frequentemente moderadamente dextrinosos), maltes Crystal e maltes escuros devem compor a malha de grãos. Pode usar adjuntos de açúcar. Variedades inglesas de lúpulo podem ser as que melhor se encaixam, embora seu caráter seja suavizado. Levedo inglês de Ale com personalidade.
Estatísticas vitais:
IBUs: 10-25 SRM: 12-25 OG: 1.030-1.038 FG: 1.008-1.013 ABV: 2.8-4.5%
Exemplos comerciais: Moorhouse Black Cat, Gale’s Festival Mild, Theakston Traditional Mild, Highgate Mild, Sainsbury Mild, Brain’s Dark, Banks's Mild, Coach House Gunpowder Strong Mild, Woodforde’s Mardler’s Mild, Greene King XX Mild, Motor City Brewing Ghettoblaster

O exemplar da foto se chama Gale's Festival Mild e pode ser encontrado em
Continua amanhã a família English Brown Ale com o subestilo Southern English Brown. Até lá!

Cheers!

11b) SOUTHERN ENGLISH BROWN


Aroma: doce-maltado, frequentemente com rico caráter de caramelo ou lembrando toffee. Moderadamente frutada, geralmente com notas de frutas escuras como ameixa e/ou ameixa-seca. Muito baixo a nenhum aroma de lúpulo. Sem diacetil.
Aparência: marrom-claro a escuro e pode ser quase preta. Quase opaca, embora deva ser relativamente clara no caso de ser translúcida. Espuma baixa a moderada, esbranquiçada a bronze.
Sabor: doçura maltada profunda, lembrando caramelo ou toffee no paladar e permanecendo até o final. Notas de biscoito e café são comuns. Pode ter moderada complexidade de frutas escuras. Baixo amargor de lúpulo. Sabor de lúpulo baixo a não-existente. Pouco ou nenhum sabor perceptível de malte tostado ou amargo escuro. Final moderadamente doce com aftertaste suave e maltado. Baixo a nenhum diacetil.
Paladar: corpo médio, mas a doçura residual pode dar uma impressão mais pesada. Carbonatação baixa a moderadamente baixa. De textura bem cremosa e suave, especialmente por sua gravidade.
Impressão geral: uma Brown Ale saborosa e orientada para o malte, com uma complexidade de fruta escura no sabor do malte. Pode ter alguma semelhança com versões menores de uma Sweet Stout ou versões doces de uma Dark Mild.
História: English Brown Ales geralmente se dividem em subestilos seguindo linhas geográficas. As do sul da Inglaterra (ou ‘estilo-Londres’) são mais escuras, mais doces e de mais baixa gravidade que suas primas do norte. Desenvolvida como um produto engarrafado no início do século XX como uma reação contra as Porter que eram produzidas em tonéis e lembravam vinho –frequentemente insuportavelmente suaves. Encaixavam-se bem ao fornecimento de água em Londres.
Comentários: cada vez mais rara; a Mann’s tem mais de 90% de market share no Reino Unido. Considerada por alguns como uma versão engarrafada da Dark Mild, mas o estilo é mais doce que virtualmente todos os exemplos modernos de uma Mild.
Ingredientes: malte Pale Ale inglês como base com uma saudável proporção de maltes caramelo mais escuros e frequentemente um pouco de malte escuro tostado e malte de trigo. Água com moderado a alto teor de carbonato deve balancear apropriadamente a acidez do malte escuro. Variedades inglesas de lúpulo são mais autênticas, embora com pouco sabor e amargor quase qualquer tipo possa ser usado.
Estatísticas vitais:
IBUs: 12-20 SEM: 19-35 OG: 1.033-1.042 FG: 1.011-1.014 ABV: 2.8-4.1%
Exemplos comerciais: Mann's Brown Ale (engarrafada, mas indisponível nos EUA), Harvey’s Nut Brown Ale, Woodeforde’s Norfolk Nog

Ilustra o espaço de hoje a Harvey’s Nut Brown Ale, exemplar também encontrado em http://www.ratebeer.com/beer/harveys-nut-brown-ale/4359/

Termina amanhã a família English Brown Ale com o subestilo Northern English Brown Ale. Até lá!

Cheers!

11c) NORTHERN ENGLISH BROWN ALE


Aroma: leve e doce aroma de malte com notas de toffee, nozes e/ou caramelo. Um leve, mas instigante aroma fresco de lúpulo (variedades do Reino Unido) também pode ser percebido. Um leve aroma de éster frutado pode estar evidente nessas cervejas, mas não deve predominar. Muito baixo a nenhum diacetil.
Aparência: coloração âmbar-escuro a marrom-avermelhado. Clara. Espuma baixa e moderadamente esbranquiçada a levemente bronzeada.
Sabor: gentil a moderada doçura de malte, com caráter lembrando nozes e ligeiramente caramelizado. Final médio-seco a seco. O malte também pode apresentar caráter tostado, abiscoitado ou lembrando toffee. Médio a médio-baixo amargor. O balanço malte-lúpulo está próximo da igualdade, com baixo a nenhum sabor de lúpulo (variedades do RU). Alguns ésteres frutados podem estar presentes, baixo diacetil (especialmente caramelo) é opcional, mas aceitável.
Paladar: corpo médio-leve a médio. Carbonatação média a média-alta.
Impressão geral: mais seca e mais lúpulo-orientada que a Southern English Brown Ale, com caráter de nozes em vez de caramelo.
História/comentários: as English Brown Ales são geralmente divididas em subestilos a partir de linhas geográficas.
Ingredientes: base de malte inglês para Mild Ale ou Pale Ale com maltes caramelo. Também pode ter pequenas quantidades de maltes mais escuros (ex: chocolate) para dar cor e caráter de nozes. Variedades inglesas de lúpulo são as mais autênticas. Água com teor moderado de carbonato.
Estatísticas vitais:
IBUs: 20-30 SRM: 12-22 OG: 1.040-1.052 FG: 1.008-1.013 ABV: 4.2-5.4%
Exemplos comerciais: Newcastle Brown Ale, Samuel Smith’s Nut Brown Ale, Riggwelter Yorkshire Ale, Wychwood Hobgoblin, Tröegs Rugged Trail Ale, Alesmith Nautical Nut Brown Ale, Avery Ellie’s Brown Ale, Goose Island Nut Brown Ale, Samuel Adams Brown Ale

Na foto aparece a Newcastle Brown Ale, figurinha carimbada em supermercados e pubs brasileiros e também localizada em http://ratebeer.com/beer/newcastle-brown-ale/132/

Termina hoje a família English Brown Ale. Tem início amanhã a família Porter, com o subestilo Brown Porter. Até lá!

Cheers!

12) PORTER 12a) BROWN PORTER


Aroma: aroma de malte com suave tostagem deve ser evidente e pode ter qualidades de chocolate. Pode também mostrar algum caráter de malte não-tostado em suporte (lembrando caramelo, grãos, pão, nozes, toffee ou apenas ser doce). Aroma de lúpulo inglês moderado a nenhum. Ésteres frutados moderados a nenhum. Diacetil baixo a nenhum.
Aparência: coloração marrom-claro a marrom-escuro, geralmente com luzes rubi quando segurados contra a luz. Boa claridade, embora possa estar próxima de ser opaca. Espuma moderadamente esbranquiçada a levemente bronzeada com boa a moderada retenção.
Sabor: o sabor de malte inclui uma tostagem suave a moderada (frequentemente com caráter de chocolate) e geralmente um significativo caráter de caramelo, nozes e/ou toffee. Pode ter outros sabores secundários como café, alcaçuz, biscoitos ou torrada em suporte. Não deve ter um caráter significativo de malte preto (sabores acre, queimado ou fortemente tostado), embora pequenas quantidades possam contribuir com uma complexidade de chocolate amargo. Sabor de lúpulo inglês vai de moderado a nenhum. O médio-baixo a médio amargor de lúpulo irá variar o balanço de ligeiramente maltado a ligeiramente amargo. Usualmente é moderadamente bem atenuada, embora existam versões que sejam algo doce. O teor de diacetil vai de moderadamente baixo a nenhum. Moderado a baixo índice de ésteres frutados.
Paladar: corpo médio-leve a médio. Carbonatação moderadamente baixa a moderadamente alta.
Impressão geral: uma Dark Ale inglesa moderadamente substancial, com características tostadas restritas.
História: originada na Inglaterra, a Porter evoluiu de uma mistura de cervejas ou infusões fermentadas de malte conhecidas como ‘Entire’. Precursora da Stout.
Comentários: difere de uma Robust Porter por ter usualmente sabores mais suaves, mais doces e mais caramelizados, gravidades mais baixas e usualmente menos álcool. Tem mais substância e tostagem que uma Brown Ale. Maior gravidade que uma Dark Mild. Algumas versões são fermentadas com levedo de Lager. O balanço tende em relação ao malte mais que aos lúpulos. Usualmente tem um caráter ‘inglês’. Versões históricas com Brettanomyces, azedume ou defumagem devem ser incluídas na categoria Specialty Beer (23).
Ingredientes: os ingleses são mais comuns. Pode conter vários maltes, incluindo o de chocolate e/ou outros maltes tostados e do tipo caramelo. Versões históricas usariam um volume significativo de malte marrom. Usualmente não contem grandes volumes de malte preto patente ou cevada tostada. Os lúpulos ingleses são os mais comuns, mas são usualmente subjugados. Água do tipo Londres ou Dublin são tradicionais (moderado teor de carbonato). Levedo inglês ou irlandês, ou ocasionalmente levedo de Lager, é usado. Pode conter um teor moderado de adjuntos (açúcares, milho, melado)
Estatísticas vitais:
IBUs: 18-35 SRM: 20-30 OG: 1.040-1.052 FG: 1.008-1.014 ABV: 4-5.4%
Exemplos comerciais: Fuller's London Porter, Samuel Smith Taddy Porter, Burton Bridge Burton Porter, RCH Old Slug Porter, Nethergate Old Growler Porter, Hambleton Nightmare Porter, Harvey’s Tom Paine Original Old Porter, Salopian Entire Butt English Porter, St. Peters Old-Style Porter, Shepherd Neame Original Porter, Flag Porter, Wasatch Polygamy Porter

Ilustra o espaço de hoje a recomendadíssima Fuller's London Porter, exemplar encontrado em lojas especializadas brasileiras e também em http://www.ratebeer.com/beer/fullers-london-porter/303/
Continua amanhã a família Porter com o subestilo Robust Porter. Até lá!
Cheers!

12b) ROBUST PORTER


Aroma: aroma tostado (frequentemente com caráter levemente queimado de malte escuro) deve ser perceptível e pode ser moderadamente forte. Opcionalmente pode também mostrar algum caráter de malte adicional em suporte (lembrando grãos, pão, toffee, chocolate, café, ser caramelizada, rica e/ou doce). O aroma de lúpulo vai de baixo a alto (variedades dos EUA ou Reino Unido). Algumas versões americanas podem ser seco-lupuladas. Ésteres frutados vão de moderados a nenhum. Diacetil baixo a nenhum.
Aparência: coloração marrom-médio a marrom bem escuro, frequentemente com luzes rubi ou vermelho escuras. Pode se aproximar de preto na cor. A claridade pode ser difícil de discernir em uma cerveja tão escura, mas, quando não for opaca, irá ser clara (particularmente quando segurada contra a luz). Espuma cheia e de cor bronze com retenção moderadamente boa.
Sabor: sabor de malte moderadamente forte apresenta um caráter levemente queimado de malte escuro (e por vezes aromas de chocolate e/ou café) com uma pitada de secura tostada no final. O sabor geral pode finalizar de seco a médio-doce, dependendo da composição do conjunto de grãos usados, nível de amargamento do lúpulo e atenuação. Pode ter caráter pungente vindo de grãos escuros tostados, embora não deve ser excessivamente acre, queimado ou forte. Amargor médio a alto, que pode ser acentuado pelo malte tostado. O sabor de lúpulo pode variar de baixo a moderadamente alto (variedades dos EUA ou RU, tipicamente) e balanceia os sabores de malte tostado. Diacetil baixo ou nenhum. Ésteres frutados moderados a nenhum.
Paladar: corpo médio a médio-cheio. Carbonatação moderadamente baixa a moderadamente alta. Versões mais fortes podem ter ligeiro aquecimento alcoólico. Pode ter leve adstringência vinda dos grãos tostados, embora esse traço não deva ser muito forte.
Impressão geral: uma maltada e substancial Dark Ale com caráter complexo e saborosamente tostado.
História: é a versão mais forte, mais lupulada e/ou mais tostada de Porter, designada como uma reversão histórica ou uma interpretação americana do estilo. Versões tradicionais terão um caráter mais sutil de lúpulo (geralmente inglês), enquanto versões modernas poderão ser consideravelmente mais agressivas. Ambas são igualmente válidas.
Comentários: embora seja um estilo bem amplo aberto a interpretações dos cervejeiros, pode se distinguir da Stout por não ter um forte caráter de cevada tostada. Difere da Brown Porter porque naquela está usualmente presente um caráter negro patente ou de grãos tostados, além de poder ter maior teor alcoólico. Intensidade da tostagem e sabores de malte também podem variar significativamente. Pode ou não apresentar forte caráter de lúpulo e pode ou não ter significativos derivados da fermentação; portanto, pode aparentar ter caráter ‘americano’ ou inglês’.
Ingredientes: pode conter vários maltes, destacadamente maltes e grãos escuros tostados, que geralmente incluem malte escuro patente (malte de chocolate e/ou cevada tostada pode também ser usada em algumas versões). Lúpulos são usados para dar amargor, sabor e/ou aroma, e frequentemente são variedades do Reino Unido ou dos Estados Unidos. Água com moderada a alta mineralização carbonada é típica. Levedo de Ale pode tanto ser das limpas versões americanas como das variedades inglesas de personalidade.
Estatísticas vitais:
IBUs: 25-50 SEM: 22-35 OG: 1.048-1.065 FG: 1.012-1.016 ABV: 4.8-6.5%
Exemplos comerciais: Great Lakes Edmund Fitzgerald Porter, Meantime London Porter, Anchor Porter, Smuttynose Robust Porter, Sierra Nevada Porter, Deschutes Black Butte Porter, Boulevard Bully! Porter, Rogue Mocha Porter, Avery New World Porter, Bell’s Porter, Great Divide Saint Bridget’s Porter


O exemplar de hoje se chama Great Lakes Edmund Fitzgerald Porter, e pode ser encontrado em http://www.ratebeer.com/beer/great-lakes-edmund-fitzgerald-porter/1226/

Termina amanhã a família Porter, com o subestilo Baltic Porter. Até lá!
Cheers!

12c) BALTIC PORTER


Aroma: rica doçura maltada, frequentemente contendo notas de caramelo, toffee, nozes a profunda tostagem e/ou alcaçuz. Complexo perfil de álcool e éster com força moderada e reminiscência de ameixa, ameixa-seca, uva-passa, cerejas ou corinto, ocasionalmente com qualidades de vinho do Porto. Apresenta algum caráter de malte escuro que seja de chocolate, café ou melado, mas nunca queimado. Sem lúpulo. Sem azedume. Bem suave.
Aparência: coloração cobre-avermelhado escuro a marrom-escuro opaco (não preto). Espuma grossa, bronze e persistente. Clara, embora versões mais escuras possam ser opacas.
Sabor: assim como no aroma, possui rica doçura maltada com uma complexa mistura de malte profundo, ésteres de frutas secas e álcool. Tem um destacado ainda que suave sabor tostado à la Schwarzbier que tem pouco de queimado. Preenche a boca e é bem suave. Caráter limpo de Lager; sem diacetil. Começa doce, mas sabores de maltes mais escuros rapidamente dominam e persistem até o final. Apenas um toque seco com notas de café tostado ou alcaçuz no final. O malte pode ter complexidade de caramelo, toffee, nozes, melado e/ou alcaçuz. Leves notas de corinto preto e frutas escuras. Amargor médio-baixo a médio vindo de malte e lúpulos, apenas para dar balanço. Sabor de lúpulo vindo de maltes ligeiramente condimentados (tipos Lublin ou Saaz) varia de nenhum a médio-baixo.
Paladar: geralmente bem encorpada e suave, com aquecimento alcoólico bem envelhecido (embora as raras versões de gravidade mais baixa do estilo Carnegie tenham corpo médio e menor aquecimento). Carbonatação média a média-alta, fazendo com que ela dê uma impressão ainda maior de preenchimento na boca. Não chega a ser pesada na língua devido ao nível de carbonatação. A maior parte das versões está na faixa de 7-8,5% de teor alcoólico.
Impressão geral: uma Baltic Porter frequentemente tem os sabores de malte remanescentes de uma English Brown Porter e a tostagem restrita de uma Schwarzbier, mas com uma gravidade inicial (OG) e teor alcoólico maiores que o de ambas. Bem complexa, com sabores multifacetados.
História: cerveja tradicional de países fronteiriços com o mar Báltico. Derivada das English Porters mas influenciada pelas Russian Imperial Stouts.
Comentários: pode também ser descrita como uma Imperial Porter, embora versões fortemente tostadas ou lupuladas devam ser incluídas como Imperial Stouts (13F) ou Specialty Beers (23).
Ingredientes: geralmente levedo de Lager (de fermentação fria se for usado levedo de Ale). Malte escuro ou de chocolate. Malte base Munich ou Vienna. Lúpulos Continental. Pode conter maltes Crystal e/ou adjuntos. Malte marrom ou âmbar comuns em receitas históricas.
Estatísticas vitais:
IBUs: 20-40 SRM: 17-30 OG: 1.060-1.090 FG: 1.016-1.024 ABV: 5.5-9.5%
Exemplos comerciais: Sinebrychoff Porter (Finland), Okocim Porter (Poland), Zywiec Porter (Poland), Baltika #6 Porter (Russia), Carnegie Stark Porter (Sweden), Aldaris Porteris (Latvia), Utenos Porter (Lithuania), Stepan Razin Porter (Russia), Nøgne ø porter (Norway), Neuzeller Kloster-Bräu Neuzeller Porter (Germany), Southampton Imperial Baltic Porter

Ilustra a foto de hoje a Koff Porter, honônima do exemplar em itálico e também encontrada em

E assim termina a família Porter. Amanhã tem início a família Stout, com o subestilo Stout Dry. Até lá!

Cheers!

16d) BIÈRE DE GARDE


Aroma: destacada doçura maltada, geralmente com complexo e leve a moderado caráter tostado. Alguma caramelização é aceitável. Poucos a moderados ésteres. Baixo a nenhum aroma de lúpulo (pode ser um pouco condimento ou herbal). Versões comerciais frequentemente terão um caráter mofado, amadeirado e lembrando adega, difíceis de obter com cervejas domésticas. Versões mais claras ainda serão maltadas, mas terão falta de aromatização mais rica e profunda e podem ter um pouco mais de lúpulo. Sem diacetil.
Aparência: três variações principais podem existir (loira, âmbar e marrom), então a coloração varia de loiro dourado a bronze-avermelhado a marrom-castanho. Boa a pobre claridade, embora turbidez não seja inesperada nesse tipo de cerveja tipicamente não-filtrada. Espuma bem formada, geralmente branca a esbranquiçada (varia com a cor da cerveja), suportada por alta carbonatação.
Sabor: médio a alto sabor de malte, frequentemente com doçura tostada, lembrando toffee ou caramelo. Sabor e complexidade de malte tendem a aumentar ao passo que a cerveja se torna mais escura. Baixo a moderado nível de ésteres e sabores alcoólicos. Médio-baixo amargor de lúpulo fornece algum suporte, mas o balanço sempre pende em relação ao malte. O sabor de malte dura até o final, que deve ser de médio-seco a seco, nunca inebriante. O álcool pode trazer alguma secura adicional ao final. Baixo a nenhum sabor de lúpulo, embora versões mais pálidas possam ter níveis ligeiramente mais altos de sabor herbal ou condimentado de lúpulo (que também pode vir do levedo). Caráter suave, bem lagerizado. Sem diacetil.
Paladar: corpo médio a médio-leve (ralo), frequentemente com caráter suave e sedoso. Moderada a alta carbonatação. Moderato teor alcoólico, que deve ser bem suave e nunca quente.
Impressão geral: uma cerveja artesanal de fazenda, moderadamente forte, lagerizada e com malte acentuado.
História: seu nome significa literalmente ‘cerveja que foi armazenada ou lagerizada’. Uma tradicional Ale artesanal de fazenda do norte da França envasada no começo da primavera e mantida em adegas resfriadas para serem consumidas em climas mais quentes. Não é produzida o ano inteiro. Ligada ao estilo belga Saison, a principal diferença é que a Biére de Garde é mais rica, doce e balanceada, mais focada no malte, geralmente tem um ‘caráter de adega’ e não apresenta a condimentação e o azedume de uma Saison.
Comentários: três variações principais são incluídas no estilo: a marrom (brune), a loira (blonde) e a âmbar (ambrée). As versões mais escuras terão mais caráter de malte, enquanto as mais claras podem ter mais lúpulo (mas ainda serão cervejas focadas em malte). Um estilo relacionado é a Bière de Mars, que é envasada em Março (Mars) para consumo rápido e não envelhece tão bem. Os índices de atenuação estão na escala de 80-85%. Existem exemplares mais encorpados, que são bem mais raros.
Ingredientes: o ‘caráter de adega’ observado nos exemplos comerciais é improvável de ser duplicado pelas cervejarias caseiras já que procede de moldes e levedos nativos. Versões comerciais geralmente terão caráter ‘de rolha’, seco e adstringente que é frequentemente identificado erroneamente como de adega. Versões caseiras portanto são mais claras. Os maltes base variam pela cor da cerveja, mas usualmente incluem os tipos claro, Vienna e Munich. A caramelização do recipiente metálico tende a ser usada mais que os maltes Crystal, quando presente. Versões mais escuras terão complexidade e doçura de malte mais ricas vindas dos maltes do tipo Crystal. Açúcar pode ser usado para dar sabor e ajudar a compor o final seco. Levedo de Lager ou Ale fermentado em temperaturas frias de Ale, seguida por longo condicionamento resfriado (4-6 semanas para operações comerciais). Água com baixo teor de mineralização. Lúpulos continentais florais, herbais ou condimentados.
Estatísticas vitais:
IBUs: 18-28 SRM: 6-19 OG: 1.060-1.080 FG: 1.008-1.016 ABV: 6-8.5%
Exemplos comerciais: Jenlain (amber), Jenlain Bière de Printemps (blond), St. Amand (brown), Ch’Ti Brun (brown), Ch’Ti Blond (blond), La Choulette (todas as 3 versões), La Choulette Bière des Sans Culottes (blond), Saint Sylvestre 3 Monts (blond), Biere Nouvelle brown), Castelain (blond), Jade (amber), Brasseurs Bière de Garde (amber), Southampton Bière de Garde (amber), Lost Abbey Avante Garde (blond)

Ocupa o espaço de hoje a Jenlain Ambrée, exemplar encontrado em algumas lojas especializadas brasileiras e também em http://www.ratebeer.com/beer/jenlain-ambrée/4677/


Termina amanhã a família Belgian e French Ale com o subestilos Belgian Specialty Ale. Até lá!

Cheers!

17c) FLANDERS BROWN ALE/OUD BRUIN


Aroma: complexa combinação de ésteres frutados e rico caráter de malte. Ésteres comumente reminiscentes de ameixa-seca, ameixa, figo, tâmara, cerejas negras ou uva-passa. Um caráter de malte lembrando caramelo, toffee, laranja, melado ou chocolate também é comum. Fenóis condimentos podem estar presentes em pequenos volumes para complexidade. Um caráter à la sherry pode estar presente e geralmente denota um exemplo envelhecido. Ligeiro aroma azedo pode estar presente e pode aumentar modestamente com a idade, mas não deve tornar-se um perceptível caráter acético de vinagre. Ausência de aroma de lúpulo. O diacetil é perceptível em quantidades muito pequenas, e, se for, como um aroma complementar.
Aparência: coloração marrom-avermelhado escuro a marrom. Boa claridade. Média a boa retenção de espuma, que deve ter coloração marfim a bronze claro.
Sabor: maltado com complexidade frutada e alguma caramelização. A frutagem comumente inclui frutas escuras como ameixa-seca, ameixa, figo, tâmara, cerejas negras ou uva-passa. Um caráter de malte lembrando caramelo, toffee, laranja, melado ou chocolate também é comum. Fenóis condimentados podem estar presentes em pequenas quantidades para complexidade. Um ligeiro azedume geralmente se torna mais pronunciado em exemplos bem envelhecidos, junto com algum caráter de sherry, produzido um perfil ‘doce-e-azedo’. O azedume não deve crescer até um caráter acético de vinagre muito destacado. Não há sabor de lúpulo. Restrito amargor de lúpulo. Baixa oxidação é apropriada como ponto de complexidade. O diacetil é perceptível apenas em quantidades muito baixas, e se for, apenas como um sabor complementar.
Paladar: corpo médio a médio-cheio. Baixa a moderada carbonatação. Sem adstringência com final doce e azedo.
Impressão geral: uma Ale marrom de estilo belga, maltada, frutada, envelhecida e algo azeda.
História: uma tradição de ‘Old Ale’, nativa de Flanders oeste, tipificada pelos produtos da cervejaria Liefman (que agora pertence a Riva), cujas raízes remetem a antes dos anos 1600. Historicamente envasada como uma ‘cerveja de provisão’ que iria desenvolver algum azedume enquanto envelhecesse. Essas cervejas eram tipicamente mais azedas que seus exemplos comerciais correntes. Enquanto as Flanders Red Beer eram envelhecidas em carvalho, as Brown sofrem envelhecimento aquecido em aço inoxidável.
Comentários: longo envelhecimento e mistura de cerveja jovem e envelhecida pode acontecer, adicionando suavidade e complexidade e balanceando qualquer caráter amargo e doce. Um caráter mais profundo de malte distingue essas cervejas das Flanders Red Ale. O estilo foi feito para ser armazenado, então exemplos com caráter moderadamente envelhecido são considerados superiores aos exemplos mais jovens. Como nas Lambic de fruta, a Oud Bruin pode ser usada como base para cervejas com sabor de fruta, como a Kriek (cerejas) ou a Frambozen (framboesas), embora essas devam ser incluídas no clássico estilo de cervejas de fruta. A Oud Bruin é menos acética e mais maltada que uma Flanders Red, e os sabores frutados são mais orientados em relação ao malte.
Ingredientes: uma base de malte Pils com volumes prudentes de maltes escuros Cara e uma minúscula porção de malte escuro ou tostado. Frequentemente inclui milho. Baixo volume dos ácidos lúpulos Continental Low Alpha é típico (evita-se a variedade High Alpha ou lúpulos americanos particulares). Saccharomyces e lactobacilos (e acetobacter) contribuem para fermentação e eventual sabor. Os lactobacilos reagem mal aos elevados níveis de álcool. Uma polpa azeda ou malte acidulado também pode ser usada para desenvolver o caráter azedo sem introduzir lactobacilos. Água rica em carbonato é tipicamente de sua terra natal e irá aliviar a acidez de maltes mais escuros e o azedume lático. O magnésio presente na água acentua o azedume.
Estatísticas vitais:
IBUs: 20-25 SRM: 15-22 OG: 1.040-1.074 FG: 1.008-1.012 ABV: 4-8%
Exemplos comerciais: Liefman’s Goudenband, Liefman’s Odnar, Liefman’s Oud Bruin, Ichtegem Old Brown, Riva Vondel

Povoa o espaço de hoje a Liefman's Oud Bruin, exemplar também localizado em



Continua amanhã a família Sour Ale com o subestilos Straight (Unblended) Lambic. Até lá!

Cheers!

19) STRONG ALE 19a) OLD ALE


Aroma: doce-maltado com ésteres frutados, frequentemente com complexa mistura de frutas-secas, vinho, caramelo, melado, nozes, toffee, melado e/ou aromas de outros maltes de especialidade. Algumas notas de álcool e oxidadas são aceitáveis, parecidas com as encontradas em sherry ou vinho do Porto. Aromas de lúpulo geralmente não estão presentes devido ao envelhecimento estendido.
Aparência: coloração âmbar-claro a marrom-avermelhado bem escuro (a maioria é moderadamente escura). Idade e oxidação podem escurecer a cerveja ainda mais. Pode ser quase opaca (se não, deve ser clara). Espuma bronze claro, cremosa, pode ser adversamente afetada pela idade e álcool.
Sabor: médio a alto caráter de malte com complexidade lasciva de malte, geralmente com sabores de nozes, caramelo e/ou melado. Leves sabores de chocolate ou malte tostado são opcionais, mas nunca devem destacar-se. O balanço é geralmente maltado-doce, mas pode ser bem lupulada (a impressão de amargor geralmente depende no volume de envelhecimento). Moderados a altos ésteres frutados são comuns e podem assumir caráter de frutas secas ou vinho. O final pode variar de seco a algo doce. Um envelhecimento extenso pode contribuir com sabores oxidados semelhantes à velhos e bons sherry, vinho do Porto ou Madeira. O teor alcoólico deve ser evidente, embora não exagerado. Diacetil baixo a nenhum. Algumas versões envelhecidas em madeira ou misturadas podem ter caráter lático ou de Brettanomyces; mas isso é opcional e não deve ser muito forte (caso seja, deve ser considerada uma Specialty Beer).
Paladar: corpo consistente, médio a cheio, embora exemplos mais antigos possam ter menos corpo devido à continuada atenuação durante o condicionamento. O aquecimento alcoólico geralmente é evidente e sempre bem-vindo. Baixa a moderada carbonatação, dependendo na idade e condicionamento.
Impressão geral: uma Ale de significativo teor alcoólico, maior que o de Strong Bitters e Brown Porters, embora usualmente não seja tão forte ou rica quanto um Barley Wine. Usualmente inclinada em relação a um balanço mais doce e maltado. ‘Deve ser uma cerveja que aqueça, do tipo que é melhor bebida em Half Pints junto ao foto em uma noite fria de inverno’ – Michael Jackson.
História: um tradicional estilo inglês de Ale, esmagada e misturada em temperaturas mais altas que as Strong Ale para reduzir a atenuação, e então envelhecida na cervejaria após uma fermentação primária (similar ao processo usados para Porters históricas). Frequentemente apresenta caráter relacionado à idade (lático, Brett, oxidação, couro), associado com cervejas ‘vencidas’. Usada como cerveja de estoque para misturas ou para ser aproveitada com força total (stale [vencida, podre] ou stock [estoque] se referem a cervejas que foram envelhecidas ou armazenadas por um significativo período de tempo). Cervejas para aquecer no inverno são um estilo mais moderno, mais maltado, encorpado, geralmente mais escuro que as edições especiais de inverno produzidas pelas cervejarias.
Comentários: força e caráter variam imensamente. Se encaixa entre os estilos de gravidade normal (Strong Bitter, Brown Porter) e Barley Wines. Pode incluir cervejas de inverno, Strong Dark Milds, Strong (e talvez mais escuras) Bitter, cervejas misturadas fortes (Stock Ale misturada com uma MIld ou Bitter) e versões de gravidade mais baixa de Barley Wines ingleses. Muitos exemplos ingleses, particularmente das versões de inverno, têm ABV mais baixo que 6%.
Ingredientes: generosas quantidades de malte claro bem modificado (geralmente de origem inglesa, mas não necessariamente), junto com quantidades prudentes de malte caramelo e outros maltes de características especiais. Alguns exemplos mais escuros sugerem que os maltes escuros (ex: chocolate, escuro) podem ser apropriados, embora em quantidade suficiente para evitar um caráter tostado demais. Adjuntos (como melado ou açúcar) são frequentemente usados, assim como adjuntos de amigo (milho, cevada em flocos, trigo) e extratos de malte. A variedade de lup9ulos não é importante, já que o balanço relativo e processo de envelhecimento negam muito de caráter mais variado. Levedo britânico para Ale que tem baixa atenuação, mas pode lidar com níveis mais altos de álcool, é tradicional.
Estatísticas vitais:
IBUs: 30-60 SRM: 10-22 OG: 1.060-1.090 FG: 1.015-1.022 ABV: 6-9%
Exemplos comerciais: Gale’s Prize Old Ale, Burton Bridge Olde Expensive, Marston Owd Roger, Greene King Olde Suffolk Ale , J.W. Lees Moonraker, Harviestoun Old Engine Oil, Fuller’s Vintage Ale, Harvey’s Elizabethan Ale, Theakston Old Peculier (peculiar com sua OG de 1.057), Young's Winter Warmer, Sarah Hughes Dark Ruby Mild, Samuel Smith’s Winter Welcome, Fuller’s 1845, Fuller’s Old Winter Ale, Great Divide Hibernation Ale, Founders Curmudgeon, Cooperstown Pride of Milford Special Ale, Coniston Old Man Ale, Avery Old Jubilation

Embeleza o espaço de hoje a Fuller's 1845, encontrada em lojas especializadas brasileiras e também em http://www.ratebeer.com/beer/fullers-1845/294/

Continua amanhã a família Strong Ale com o subestilo English Barley Wine. Até lá!

Cheers!

19b) ENGLISH BARLEY WINE


Aroma: muito rico e fortemente maltado, frequentemente lembrando caramelo. Pode ter moderada a forte frutagem, geralmente com caráter de frutas secas. Aroma de lúpulo inglês vai de suave a pronunciado. Baixa a moderada presença de álcool, mas nunca aguda, quente ou solvente. A intensidade aromática geralmente se dissipa com o tempo. O aroma pode ter um rico caráter tostado, de pão, toffee e melado. Versões envelhecidas podem ter qualidades de sherry, possivelmente lembrando vinho tinto ou do Porto, e geralmente aromas de malte mais suavizados. Baixa a nenhuma presença de diacetil.
Aparência: coloração vai de dourado rico a âmbar bem escuro ou ainda marrom escuro. Geralmente tem luzes rubi, mas não deve ser opaca. Pouco a moderadamente esbranquiçada espuma; pode ter baixa retenção. Pode ser turva, com uma ‘névoa’ fresca em temperaturas mais baixas, mas geralmente evolui até uma claridade boa a brilhante à medida que vai se aquecendo. Sua coloração pode aparentar ter grande profundidade, como se fosse vista através de grossas lentes de vidro. Alto teor alcoólico e viscosidade podem ser percebidas nas ‘lágrimas’ que se formam quando a cerveja é agitada em movimentos circulares dentro do copo.
Sabor: fortes, intensos, complexos e multifacetados sabores de malte, lembrando pão e biscoito, além de nozes, profunda tostagem, caramelo escuro, toffee e/ou melado. Moderada a alta doçura maltada no paladar, embora o final possa ser moderadamente doce a moderadamente seco (dependendo do envelhecimento). Alguns sabores oxidados ou lembrando vinho podem estar presentes, e com freqüência sabores complexos de álcool devem ser evidentes. Tais sabores não devem ser demasiado agudos, quentes, nem solventes. Moderada a moderadamente alta frutagem, geralmente com caráter de frutas secas. Amargor de lúpulo varia de ‘apenas suficiente para balancear’ a uma ‘presença firme’; portanto, o balanço varia de maltado a algo amargo. Baixo a moderadamente alto sabor de lúpulo (usualmente variedades britânicas). Baixo a nenhum diacetil.
Paladar: encorpada e consistente, com textura aveludada e lasciva (embora o corpo possa ficar mais ralo com longas armazenagens). Suave aquecimento proveniente de álcool envelhecido deve estar presente e não deve ser quente ou agudo. Carbonatação deve ir de baixa a moderada, dependendo da idade e acondicionamento.
Impressão geral: a mais rica e forte English Ale. Uma demonstração de riqueza maltada e sabores complexos e intensos. O caráter dessas Ales pode mudar significativamente ao longo do tempo; tanto versões jovens como velhas devem ser apreciadas pelo que são. O perfil de malte pode variar imensamente; nem todos os exemplos terão todos os sabores ou aromas possíveis.
História: usualmente a Ale mais forte oferecida por uma cervejaria, e, nos anos mais recentes, muitos exemplos comerciais têm sido datados com suas safras. Normalmente é significativamente envelhecida antes de ser lançada. Frequentemente associada ao inverno ou à temporada de feriados.
Comentários: embora geralmente seja uma cerveja lupulada, o Barley Wine inglês dá menor ênfase ao caráter de lúpulo que sua contrapartida norte-americana, e apresenta lúpulos ingleses. Versões inglesas podem ser mais escuras, mais maltadas e mais frutadas, além de apresentar sabores mais ricos de maltes especiais que suas equivalentes yankees.
Ingredientes: malte claro bem modificado deve formar a espinha dorsal da malha de grãos, com quantidades prudentes de maltes caramelo. Maltes escuros devem ser usados com grande restrição, isso se forem, já que boa parte de sua coloração provém de uma longa fervura. São usados lúpulos ingleses das variedades Northdown, Target, East Kent Goldings e Fuggles. Levedo inglês de personalidade.
Estatísticas vitais:
IBUs: 35-70 SRM: 8-22 OG: 1.080-1.120 FG: 1.018-1.030 ABV: 8-12%
Exemplos comerciais: Thomas Hardy’s Ale, Burton Bridge Thomas Sykes Old Ale, J.W. Lee’s Vintage Harvest Ale, Robinson’s Old Tom, Fuller’s Golden Pride, AleSmith Old Numbskull, Young’s Old Nick (pouco usual com seus 7.2% ABV), Whitbread Gold Label, Old Dominion Millenium, North Coast Old Stock Ale (quando envelhecida), Weyerbacher Blithering Idiot

Embora seja listada por ratebeer.com como uma English Strong Ale, ilustra o espaço de hoje a Fuller's Golden Pride, sboroso exemplar encontrado em lojas especializadas brasileiras e também em http://www.ratebeer.com/beer/fullers-golden-pride/300/


Termina amanhã a família Strong Ale com o subestilo American Barley Wine. Até lá!

Cheers!

22c) WOOD-AGED BEER


Aroma: varia com o estilo-base. Baixo a moderado aroma de madeira ou carvalho está usualmente presente. Madeira fresca pode ocasionalmente transmitir aromas ‘verdes’ brutos, embora esse caráter nunca deva ser forte. Outros aromas opcionais incluem leve a moderado caráter de baunilha, caramelo, toffee, tostagem ou cacau, bem como quaisquer aromas associados com álcool previamente armazenado na madeira (caso haja sido). Qualquer caráter de álcool deve ser suave e balanceado, não quente. Algum caráter secundário de oxidação é opcional e pode assumir um agradável caráter a la sherry e não apresenta traços de papel ou papelão.

Aparência: varia com o estilo-base. Geralmente mais escura que o estilo-base não adulterado da cerveja, particularmente se barris de carvalho tostado/carbonizado e/ou de whiskey/bourbon forem usados. Outros sabores que podem estar presentes opcioalmente incluem baunilha (da vanilina na madeira); caramelo, pão tostado ou amêndoas (da madeira tostada), café, chocolate, cacau (da madeira carbonizada ou pequenos barris de bourbon); e sabores de álcool de outros produtos anteriormente armazenados na madeira (caso hajam sido). Sabores derivados da madeira ou de barris pequenos devem ser balanceados, auxiliares e perceptíveis, mas não devem sobrepor-se ao estilo-base da cerveja. Ocasionalmente pode haver um azedume lático ou acético opcional na cerveja, que não deve ser mais alta que um sabor secundário (caso esteja presente). Algum caráter secundário de oxidação é opcional, embora esse traço deva assumir um agradável caráter de sherry e não lembrar papel nem papelão.

Paladar: varia com o estilo-base. Geralmente mais encorpada que a cerveja base não adulterada, e pode exibir aquecimento alcoólico adicional caso a madeira já tenha estado em contato com outros produtos alcoólicos. Níveis mais altos de álcool não devem resultar em cervejas ‘quentes’; sabores suaves e envelhecidos são mais desejáveis. A madeira pode adicionar taninos à cerveja, dependendo da idade do barril. Os taninos podem levar a uma adstringência adicional (que não deve nunca ser alta) ou simplesmente um paladar mais encorpado. Características ácidas ou azedas devem ser baixas ou não existirem.

Impressão geral: uma mistura harmoniosa do estilo-base da cerveja com características do envelhecimento em contato com madeira (incluindo quaisquer produtos alcoólicos previamente em contato com madeira). Os melhores exemplos serão suaves, saborosos, bem balaneados e bem envelhecidos.

História: um método tradicional de produção que é raramente usado por grandes cervejarias e usualmente apenas com produtos especiais. Vêm se tornando mais popular à medida que as cervejarias artesanais americanas produram por novos produtos de destaque. É tradicional o uso de barriletes e barris de carvalho, embora outras madeiras possam ser usadas.

Comentários: o estilo-base da cerveja deve ser aparente. O caráter amadeirado deve ser evidente, mas não tão dominante que desbalanceie a cerveja. A intensidade dos sabores amadeirados é baseada no tempo de contato com a madeira; a idade, condição e uso prévio do barril – além do tipo de madeira. Quaisquer produtos alcoólicos adicionais previamente armazenados na madeira devem ser evidentes, mas não devem ser tão dominantes que prejudiquem o balanço da cerveja.

Ingredientes: varia com o estilo-base. Envelhecida em barris de madeira (geralmente anteriormente usados para armazenas whiskey, bourbon, vinho do Porto, sherry, Madeira ou vinho), ou usando aditivos amadeirados (lascas de madeira, essência de carvalho). Estilos-base mais encorpados e de gravidade mais alta são geralmente usados, já que se destacam mais em relação a sabores adicionais, embora sejam encorajadas experimentações.

Estatísticas vitais:

OG: varia com o estilo-base, tipicamente acima da média IBUs: varia com o estilo-base SRM: varia com o estilo-base FG: varia com o estilo-base ABV: varia com o estilo-base, tipicamente acima da média

Exemplos comerciais: The Lost Abbey Angel’s Share Ale, J.W. Lees Harvest Ale in Port, Sherry, Lagavulin Whisky or Calvados Casks, Bush Prestige, Petrus Aged Pale, Firestone Walker Double Barrel Ale, Dominion Oak Barrel Stout, New Holland Dragons Milk, Great Divide Oak Aged Yeti Imperial Stout, Goose Island Bourbon County Stout, Le Coq Imperial Extra Double Stout, Harviestoun Old Engine Oil Special Reserve

Ilustra o espaço de hoje a Bush Prestige, exemplar também encontrado em

ttp://ratebeer.com/beer/bush-prestige-scaldis-prestige/29196/


E assim termina a família Smoke-Flavored/Wood-Aged Beer. Amanhã o post será sobre as Specialty Beer. Até lá!

Cheers!

KAISER BOCK


Descrição: essa Dunkler Bock brasileira tem espuma inicial de tamanho pequeno, virtualmente nenhuma eu diria, ao menos na ocasião em que a degustei. Virtualmente nenhuma é também o adjetivo que se aplica à formação do colarinho, este de coloração marrom-claro e longevidade reduzidíssima. Seu corpo é claro, tem densidade rala e cor marrom (2/5). O aroma é agradável, desprendendo um leve e agradável amargor lupulado no final, este de curta duração (3/10). O paladar é formado por um corpo leve e textura aguada, oposto ao se poderia esperar de uma boa e tradicional Bock encorpada. A carbonatação é bem destacada, e seu final, metálico. Devido a seu teor alcoólico relativamente baixo para o estilo (6,2%), seu aquecimento não chega a ser tão acentuado.

Custo-benefício: disponível em qualquer supermercado por preços que oscilam entre R$ 1 e R$ 2, faz jus ao preço cobrado, não chegando a ser uma opção estupenda, tampouco é uma cerveja ruim ao público que se destina.

Nota: 8 Skol

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http://ratebeer.com/beer/kaiser-bock/4116/

BACKER BROWN


Descrição: essa Brown Ale produzida em Minas Gerais é mais um exemplar dos três que consegui encontrar dessa cervejaria. Essa, infelizmente, também não me convenceu, principalmente considerando-se o estilo em que se encaixa e ao que apresentou em contrapartida para encaixar-se no mesmo. Sua espuma, marrom-clara, tem volumosa aparência inicial e reduzida longevidade. Seu corpo marrom-escuro é opaco, de densidade grossa e apresenta excelente formação de colarinho. No paladar farejam-se leves notas de toffee e o "carro-chefe" anunciado no rótulo: MUITO chocolate, obviamente inserido de modo artificial - e em excesso. Ainda assim, é um aroma bem agradável, que incita o bebedor a provar qual o gosto de tal cerveja. Desafortunadamente, o quesito anterior não corresponde às expectativas. Seu sabor inicial é levemente doce e amargo, sensações estas que perduram até o final do gole, este de média duração. Notam-se ligeiros toques de chocolate no paladar, este composto por um corpo médio-leve, de textura aguada, carbonatação suave e final de sensação metálica. Tive a impressão de que a mesma tem uma textura semelhante a de uma pilsen comum adicionada a excessivas quantidades de chocolate.

Custo-benefício: garrafa de 350ml adquirida no Armazém da Serra (Mercado Municipal de Curitiba-PR) por cerca de R$ 5, vale a pena apenas a título de conhecimento, e olhe lá. Eu, como a comprei pela 2a vez para analisa-la, atesto que não anseio por uma terceira vez.

Nota: 2 Skol

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FULLER'S ESB


Já havia degustado essa Premium Bitter/ESB inglesa há algum tempo, mas sem analisa-la da maneira como deveria tê-lo feito. É justamente por isso que adquiri outro exemplar da mesma, afim de reparar essa "injustiça". Seguem minhas impressões:

Espuma aerada e branca, média formação de colarinho, corpo claro e âmbar. Aroma de frutas vermelhas, médio malte, caramelo, toffee e madeira, lembrando barril. No paladar, um corpo médio, de textura cremosa, média carbonatação e final adstringente e metálico. O amargor balanceia harmonicamente com o leve dulçor. No paladar, de média duração, há leve dulçor e moderado amargor, com gosto de caramelo, café e malte caramelo tostado.

Custo-benefício: garrafa de 500ml adquirida no Armazém da Serra, no Mercado Municipal de Curitiba-PR, por R$22. Ótimo negócio, dada a altíssima qualidade da cerveja.

Nota: 550 Skol

BREWDOG HARDCORE IPA


Descrição comercial

Ingredientes: maltes Maris Otter, Crystal e Caramalt; lúpulos Centennial, Columbus e Simcoe. Lúpulos secos: Centennial, Columbus e Simcoe. IBU 150
Essa pequena garrafa tem uma grandiosa estória para contar; 2.204 grãos maltados de Maris Otter deram tudo que tinham a oferecer ao mundo para fornecer a tela robustamente delicada de malte toffee para esse cativante épico. 6 cones de lúpulo se sacrificaram voluntariamente em um caldeirão escaldante para assegurar que sua boca se sinta punida e pinicando por mais. 9,9 bilhões de células de levedura freneticamente fermentaram seus pequenos corações a medida que os açúcares se transformavam magicamente em álcool nas escuras profundezas de nossos tanques de fermentação. Essa Ale explícita tem mais lúpulos e amargor que qualquer outra cerveja produzida no Reino Unido. Essa cerveja é uma guinada extrema para excêntricos, ciganos e estrelas internacionais de xadrez.

Diagnóstico

Essa Imperial/Double IPA escocesa tem espuma média, aerada e branca, de reduzida longevidade. Boa formação de colarinho. Corpo âmbar-escuro, denso e translúcido. Aroma: lúpulo pesado, laranja, flor de laranja, caramelo. Sabor inicial: pesado amargor e leve dulçor. Sabor final: extremo amargor e leve dulçor; longa duração. Paladar: corpo médio-leve, textura aguada, média carbonatação e final metálico. Gosto de flores permeado por amargor monstruoso de lupulo, condimentado. Agride, mas da pra aguentar. Maior drinkability que o da Perigosa IPA, que tem 33% de amargor. Garrafa de 330ml adquirida no Clube do Malte, em Curitiba-PR, por R$ 20,90. Copos recomendados: Snifter e Tulip.

Nota: 250 Skol ou 3.8/5.0

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http://www.ratebeer.com/beer/brewdog-hardcore-ipa-92/118721/65483/

quarta-feira, 18 de março de 2026

2774 - CLUBE DO MALTE BREWMASTER SELECTION MALT EXPERIENCE


Introdução

A Brewmaster Selection Malt Experience é uma cerveja brasileira que aposta nos maltes como protagonista, com uma proposta sensorial que não se prende rigidamente a um estilo específico. Com 8,5% de teor alcoólico, busca explorar profundidade maltada, combinando notas de caramelo, toffee e tosta com nuances frutadas.


Diagnóstico

Esse Barley Wine (de acordo com brejas.com.br, mas discordo fortemente - me lembrou Belgian Golden Strong Ale) paranaense tem espuma média, branca e com bolhas, de persistente longevidade. Boa formação de colarinho. Corpo opaco e bege. Aroma: moderado malte tostado, caramelo, lúpulo moderado, laranja e leve levedura. Sabor inicial: moderado dulçor. Sabor final: leves dulçor e amargor; média duração. Paladar: corpo médio-leve, textura rala e seca, forte carbonatação e final metálico. Base maltada (lembrança de toffee e tosta) permeada por notas cítricas, que me remeteram a abacaxi e laranja. Garrafa de 355 ml adquirida por R$ 8,90 através do site clubedomalte.com.br.

Nota: 30 skol ou 3.1/5.0


Ficha técnica

  • Origem: Brasil (Paraná)
  • Estilo: Strong Ale / interpretação livre (rotulada como Barley Wine)
  • Teor alcoólico: 8,5% ABV
  • Coloração: Cobre escuro
  • Amargor: Moderado
  • Temperatura ideal: 6 a 8 ºC
  • Disponibilidade: Não sazonal
  • Harmonização sugerida: Queijos curados, costela assada

Copo ideal

  • Taça tulipa
  • Taça goblet (cálice)

Esses copos ajudam a concentrar os aromas maltados e frutados, além de valorizar a percepção alcoólica.


Sobre a proposta da cerveja

A Brewmaster Selection Malt Experience foi concebida com foco total na expressão dos maltes, sem compromisso com diretrizes rígidas de estilo. A ideia é entregar riqueza sensorial, explorando dulçor, tosta e complexidade aromática.


Sobre o estilo (e divergência)

Embora seja rotulada como Barley Wine, a experiência sensorial se afasta bastante desse estilo, que normalmente apresenta:

  • Corpo alto e textura densa
  • Baixa a média carbonatação
  • Forte presença alcoólica integrada
  • Perfil maltado intenso e encorpado

Aqui, o corpo mais leve, a alta carbonatação e o perfil mais seco aproximam a cerveja de algo mais próximo de uma Belgian Golden Strong Ale, ainda que com maior presença de malte.


Experiência de consumo

No aroma, há uma base maltada evidente, com notas de caramelo e tosta, complementadas por laranja e leve presença de levedura.

No sabor, o dulçor moderado abre o gole, seguido por um final mais equilibrado entre dulçor e amargor. A base maltada remete a toffee e malte tostado, enquanto as notas cítricas de abacaxi e laranja trazem contraste e leveza ao conjunto.

Apesar dessa complexidade interessante, o corpo médio-leve e a textura rala e seca reduzem a sensação de robustez esperada para algo rotulado como Barley Wine. A carbonatação elevada reforça essa percepção, enquanto o final metálico aparece como ponto negativo.


Harmonização e ocasião

Funciona bem com:

  • Queijos curados
  • Carnes assadas, especialmente costela

Também pode ser consumida com mais atenção, mas sem atingir o nível contemplativo típico de estilos mais encorpados.


Conclusão

A Brewmaster Selection Malt Experience apresenta um perfil interessante, com boa combinação entre malte e notas frutadas. No entanto, a discrepância entre o rótulo e a experiência sensorial pode gerar expectativas desalinhadas.

Como cerveja de proposta livre, funciona razoavelmente bem; como Barley Wine, deixa a desejar.


Resumo da avaliação

  • Estilo: Strong Ale (rotulada como Barley Wine)
  • Teor alcoólico: 8,5% ABV
  • Aparência: cobre escuro, opaca
  • Espuma: média, boa retenção
  • Aroma: caramelo, tosta, laranja, leve levedura
  • Sabor inicial: dulçor moderado
  • Sabor final: leve dulçor e amargor
  • Corpo: médio-leve
  • Carbonatação: alta
  • Final: metálico
  • Drinkability: média
  • Fidelidade ao estilo: baixa
  • Complexidade: média
  • Custo-benefício: razoável
  • Recomenda?: com ressalvas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

2763 - LOBOS NAZARETH SCOTCH ALE




Introdução

A Lobos Nazareth Scotch Ale é uma cerveja brasileira que combina o estilo escocês maltado com uma proposta temática ligada ao rock. Com 5,5% de teor alcoólico e 25 IBUs, busca entregar uma experiência equilibrada, centrada no malte.


Diagnóstico

Essa Scotch Ale paranaense tem espuma média, esbranquiçada e com bolhas, de reduzida longevidade. Boa formação de colarinho. Corpo translúcido, borbulhante e marrom-escuro. Aroma: pesado malte tostado, caramelo, lúpulo moderado (terroso), maçã, toffee e diacetil. Sabor inicial: moderada acidez e leve amargor. Sabor final: leves dulçor, acidez e amargor; média duração. Paladar: corpo médio-leve, textura rala e seca, média carbonatação e final metálico e levemente adstringente. No paladar, prevalecem notas adstringentes, totalmente destoando do estilo - é possível identificar também malte tostado no final, com leves notas de caramelo e lembrança de maçã. Perfil maltado coexiste com a adstringência. Lata de 473ml adquirida por R$ 24,90 através do site clubedomalte.com.br.

Nota: 3 skol ou 2.7/5.0


Ficha técnica

  • Origem: Brasil (Paraná)
  • Estilo: Scotch Ale
  • Teor alcoólico: 5,5% ABV
  • IBU: 25
  • Coloração: Marrom-escuro
  • Amargor: Baixo
  • Temperatura ideal: 8 a 12 ºC
  • Disponibilidade: Não sazonal

Copo ideal

  • Taça snifter
  • Taça tulipa

Esses copos ajudam a concentrar os aromas maltados e destacar nuances de caramelo e toffee.


Sobre a proposta da cerveja

A proposta da Lobos Nazareth Scotch Ale é unir um estilo clássico, centrado no malte, com uma identidade marcante ligada ao universo do rock, criando uma experiência sensorial e temática.


Sobre o estilo: Scotch Ale

As Scotch Ales (ou Wee Heavy) são caracterizadas por:

  • Forte presença de malte
  • Notas de caramelo, toffee e frutas escuras
  • Baixo amargor
  • Corpo médio a alto
  • Perfil suave e pouco adstringente

Experiência de consumo

No aroma, há predominância de malte tostado, caramelo e toffee, acompanhados por notas de maçã, leve caráter terroso do lúpulo e presença de diacetil.

No sabor, a entrada apresenta acidez moderada e leve amargor, evoluindo para um perfil relativamente suave, porém com pouca expressão de dulçor — algo incomum para o estilo.

O corpo médio-leve e a textura seca contrastam com a expectativa de maior densidade e maciez. A carbonatação média mantém o conjunto equilibrado, mas sem destaque.

O principal ponto negativo está na adstringência, bastante perceptível e destoante do estilo, além do final metálico. Esses fatores comprometem a harmonia e reduzem significativamente a qualidade da experiência.


Harmonização e ocasião

Funciona melhor com:

  • Carnes assadas
  • Pratos caramelizados
  • Queijos médios

Mais indicada para degustação pontual do que consumo casual.


Conclusão

A Lobos Nazareth Scotch Ale apresenta uma base maltada interessante no aroma, mas falha na execução, especialmente pela adstringência e pelo final metálico, que destoam do estilo.

O resultado é uma cerveja desequilibrada, com baixa fidelidade ao perfil esperado de uma Scotch Ale.


Resumo da avaliação

  • Estilo: Scotch Ale
  • Teor alcoólico: 5,5% ABV
  • Aparência: marrom-escuro, translúcida
  • Espuma: média, baixa retenção
  • Aroma: caramelo, toffee, maçã, malte tostado
  • Sabor inicial: acidez moderada e leve amargor
  • Sabor final: leve dulçor, acidez e amargor, média duração
  • Corpo: médio-leve
  • Carbonatação: média
  • Final: metálico e adstringente
  • Drinkability: baixa
  • Fidelidade ao estilo: baixa
  • Complexidade: baixa a média
  • Custo-benefício: baixo
  • Recomenda?: não

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

FUNIL RED ALE


Descrição comercial

A ponte do Funil, construção de origem inglesa, teve grande importância para Lavras e outras regiões do sul de Minas, facilitando o transporte dos tropeiros a partir de 1907. Atualmente encontra-se submersa, porém ficaram as boas lembranças, sua importância histórica e emocional. A Cervejaria do Funil é uma homenagem a essa história da região e assim como no passado, gostaríamos de transportá-lo para a degustação de novos sabores e aromas, além da qualidade das nossas cervejas feitas com muita dedicação e diferentes técnicas cervejeiras. As cervejas Red Ale são ligeiramente maltadas no balanço, às vezes apresentam um suave dulçor inicial de caramelo/toffee, um paladar ligeiramente de grãos e biscoito, e, um toque de secura tostada no final. Algumas versões podem destacar mais o caramelo e o dulçor, enquanto que outras favorecem o paladar de grãos e a secuta tostada. A Red Ale do Funil é uma cerveja escura avermelhada de espuma persistente e dourada. Aroma maltado de biscoito e toffel. Baixo amargor, sabor agradável de malte retendo ao toffee um leve caramelo e ótimo "drinkability". Combina com carnes vermelhas, cordeiro e massas com molhos leves.

Diagnóstico

Essa Irish Red Ale mineira tem espuma volumosa, esbranquiçada e com bolhas, de reduzida longevidade. Boa formação de colarinho. Corpo translúcido e âmbar-escuro. Aroma: metálico, pesado malte tostado e caramelo. Sabor inicial: moderado dulçor. Sabor final: moderado dulçor e suave amargor; longa duração. Paladar: corpo médio, textura aguada, média carbonatação e final  metálico. Sabor de malte assado e caramelo. Falta atenuação, bem adocicada. Copo recomendado: English Pint. Lata de 473ml adquirida por R$ 8,90 através do site clubedomalte.com.br.

Nota: 15 skol ou 3.3/5.0

Leia mais em
https://www.ratebeer.com/beer/funil-red-ale/1248053/65483/